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LER

Livros. Notícias. Rumores. Apontamentos.

O Que tem Shakespeare — que faz dele um autor tão actual?

 

Passaram 450 anos e andamos a repetir to be or not to be, a olhar para a comédia humana, para a tragédia de Coriolano, de Lear, pensamos em Miranda, em Desdémona, em Julieta... Que tem Shakespeare que faz dele um autor tão actual? Porque é que as suas palavras nos tocam, em tantos sentidos? 
Gustavo Rubim, professor da Universidade Nova, a psiquiatra Luísa Vicente e Tiago Bartolomeu Costa, crítico de teatro do Público, dão algumas das respostas no próximo Ler no Chiado.
Dia 13 de Março, às 18.30, na Bertrand do Chiado, com moderação de Anabela Mota Ribeiro.


LER NO CHIADO é uma iniciativa da revista LER e da Bertrand

— todos os meses, na livraria do Chiado, em Lisboa.

Valter em Aveiro

No próximo dia 18 de março, terça-feira, às 21h30, Valter Hugo Mãe vai estar em Aveiro, para apresentar o seu romance A Desumanizaçãono Teatro Aveirense — vai ser uma conversa com a cantora de jazz Jacinta. Organização da livraria ABC. 

Três dias depois, no Dia Mundial da Poesia, 21 de março, Valter estará na Biblioteca Municipal de Marco de Canaveses, às 21:00 — com poesia no cardápio, evidentemente.

Mary Shelley: outra biografia, e portuguesa

Não há fome que não dê em boa fartura. Depois de vários anos sem notícias de Mary Shelley, dois livros num mês — o de Cathy Bernheim, publicado pela Antígona, e, agora, o de Clara Queiroz (professora e investigadora do Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa), com o título Quem Tem Medo de Frankenstein? Viagem ao Mundo de Mary Shelley, a publicar pela Guerra e Paz. Oportunidade para reparar a injustiça cometida pelo esquecimento de décadas.

Simona na Presença, uma boa surpresa

 

Simona Cattabiani, que deixou a Civilização em Novembro, será a responsável por uma nova chancela autónoma da Editorial Presença, a apresentar em breve. O catálogo a dirigir por Simona terá um «caráter generalista», mas as primeiras edições serão publicadas ainda em 2014. 

Simona Cattabiani trabalha na edição desde 1995, ano em que começa a colaborar com a Dorling Kindersley, em Londres. Em 1998, muda-se para Lisboa e, após um período na Expo-98, foi a responsável pela parceria entre a Dorling Kindersley (livros ilustrados, guias, etc) e a Civilização Editora. A seguir, exerce as funções de diretora editorial da Civilização (até fim de Novembro de 2013), onde revolucionou todo o seu catálogo — e, sobretudo, manteve excelentes escolhas na área literária, além de manter as ligações internacionais da editora do Porto.

Feira do Livro do Porto: confirmação

É este o texto do comunicado da Câmara do Porto sobre a Feira do Livro:

 

«A edição 2014 da Feira do Livro do Porto vai decorrer nos jardins do Palácio de Cristal, de 5 a 21 de setembro, estará aberta a todos os editores, livreiros, livrarias, alfarrabistas e associações do setor, e será organizada e promovida da Câmara Municipal do Porto. O pelouro da Cultura terá a seu cargo a programação cultural da feira e a empresa municipal PortoLazer encarregar-se-á dos aspetos relacionados com a logística e a animação do certame.

Em mais de 80 anos, esta será a primeira vez que a Câmara Municipal do Porto chama a si a organização total da Feira do Livro do Porto, abrindo espaço à participação de todos em condições vantajosas para os participantes e, sobretudo, para os destinatários finais da feira: os leitores. A promoção da leitura será o maior objetivo do certame, que terá no livro o seu protagonista.

A decisão foi tomada depois de terem sido ponderados vários cenários e de ter sido afastada a hipótese de se regressar ao modelo em vigor até 2012, tendo ficado decidido avançar já em 2014 com um modelo que será adotado no futuro, com ganhos de competitividade para os participantes e de autonomia para a cidade do Porto.»

Smiley desconfiava, ou não, da grandeza da Grã-Bretanha?

Questões de sempre: as do «patriotismo» de John Le Carré, por exemplo, a propósito da figura de George Smiley, o seu espião imperfeito. Tudo começou quando o «correspondente» de assuntos de Defesa do Telegraph publicou um artigo sobre o facto de um agente e operacional britânico que terá servido de inspiração para o personagem de Le Carré, se ter declarado «ferido» com o retrato da espionagem feito nos livros do escritor (acentuado com uma carta de Lord Lexden). Mais: o agente em causa, John Bingham, acusa John Le Carré de ter sido «amável» para com os inimigos do Reino Unido durante a Guerra Fria, devido ao cinismo dos seus retratos e descrições do trabalho no MI5. Ah, debates eternos sobre as liberdades de um escritor.

John Le Carré, finalmente, resolve o problema com a elegância de Smiley, escrevendo ao jornal: «Se Bingham acreditava que o amor incondicional aos serviços secretos era sinónimo de amor ao país, acho que é preciso vigiar este amor...»

Quatro estações: a nova periodicidade da LER

 

 

 

Esta promessa de renovação é a garantia de que a LER continuará a ser a sua revista de livros. Sem lamentos nem desculpas. 

 

1. Nestes últimos 27 anos – desde 1986, data de lançamento de um «número zero» histórico (230 000 exemplares), até hoje (10 000 exemplares de tiragem) – a LER acompanhou a vida editorial e literária portuguesa de diferentes formas. Fê-lo de acordo com os tempos, mas mantendo o essencial: dando a voz aos autores e aumentando sempre o espaço concedido aos livros. Desta maneira se completaram 133 edições, uma coleção invejável para uma revista dedicada à literatura e aos livros: pela sua longevidade e pela sua regularidade.

 

  

   

  

  

 

2. A história da LER é, também, a história da sua independência editorial: nem dependeu de apoios públicos de quaisquer natureza, nem cedeu a pressões, nem evitou mostrar a sua opinião. Nunca recebeu subsídios – e, a propósito, a única que vez que solicitou um, a fim de publicar uma edição especial em língua inglesa para a Feira de Frankfurt (apresentando a edição e a literatura portuguesa contemporânea), viu o pedido recusado; o resultado foi, talvez por isso mesmo, gratificante: a nossa edição fez-se na mesma, com grandes sacrifícios, cuidada por Richard Zimler, sem um escudo (era a moeda da época) de apoio estatal; as outras publicações, realizadas com apoio público, terminaram onde mereciam.

  

3. Esta independência só é possível graças ao apoio da Fundação Círculo de Leitores – que tem assegurado todos os meios para que a revista tenha podido prosseguir o seu trabalho ao longo dos últimos 27 anos. Poucas entidades, públicas ou privadas, se dedicaram com tanta paixão e empenhamento à promoção da leitura, dos autores e do livro em Portugal – quer através da revista LER, quer do Prémio José Saramago, quer das pioneiras Olimpíadas da Leitura. Este apoio da Fundação Círculo de Leitores (fundamental para a LER, juntamente com o dos seus assinantes e milhares de leitores) não pode, no entanto, iludir as dificuldades que hoje se colocam às publicações periódicas em geral – dificuldades acrescidas em se tratando de uma revista de livros. A LER, como as outras revistas, depende desse mercado em mudança (entre o papel e o digital), da forma como chega às mãos dos seus leitores, da maneira como ocupa o seu lugar na vida dos livros.

 

Há por isso, decisões difíceis a tomar a fim de não prejudicar a independência da revista e a sua longevidade. A primeira dessas decisões tem a ver com a sua periodicidade: esta edição da LER interrompe o seu ritmo mensal e o fim de uma série inaugurada em 2008, quando a revista retomou a sua publicação regular, regressando no próximo mês de Junho ao seu antigo formato trimestral (um por cada estação do ano) – com mais páginas, mais reportagens, mais profundidade e densidade. A segunda dessas decisões prende-se com a presença da LER na internet – que terá atualização diária e permanente a partir de Abril, primeiro apenas no seu blogue, depois no site que será lançado oportunamente.

Esta promessa de renovação é a garantia de que a LER continuará a ser a sua revista de livros. Sem lamentos nem desculpas. 

  

   

 

 

Na morte de Leopoldo María Panero

«El poeta de 'Asi se fundó Carnaby Street' fallece seis días después de que desaparezca Ana María Moix, su gran amor imposible.» Leopoldo María Panero, la sombra de Peter Pan.

A partir de hoy, Leopoldo María Panero ya no venderá sus libros por la calle Triana de Las Palmas de Gran Canaria. El poeta vagabundo ha muerto, pero su fantasma y sus poemas quedarán esparcidos entre las almas perdidas que vagan por esta ciudad. Rezarle a la muerte.

«El día que alguien tenga el coraje y la paciencia de cribar ese bulímico bosque de versos que ha sido el legado de Leopoldo María Panero, veremos el tamaño y el calado de un poeta extraordinario.» Panero, poeta de incendio y brasa fría.

Una tarde sin beber alcohol con Leopoldo María.

La obra de Leopoldo María Panero es una de las más originales y contundentes de la poesía española del último cuarto de siglo. Adiós al último poeta maldito.

Una infortunada familia de literatos. El estigma de los Panero.

Su poesía había dejado al aire todas las esquinas de su estilo y el albañal de los temas (suicidio, necrofilia, nihilismo, blasfemias, drogas, alucinaciones monstruosas). Letanía de la consumación.

 

Entrevista: Teresa Calçada

 

 © Fotografia de Pedro Loureiro

 

Deixou o trabalho do dia a dia ou, como ela diz, deixou de ter patrão, mas a ideia de fazer leitores não ficou para trás. Por isso é Voluntária de Leitura, e precisamente na escola onde aprendeu a ler e a escrever. A fabulosa energia de Teresa Calçada, a curiosidade extrema e o prazer de pensar numa conversa que podia nunca mais acabar.

 

Entrevista de Ana Sousa Dias

 

Como faz essas leituras? Leva livros de casa? 

Umas vezes levo os meus livros de miúda, algumas histórias de que gostei, ou que eu tenho ainda presente o sentimento de as ter lido. Livros que aparecem, que me apetece levar, ou livros da biblioteca da escola. Levei várias vezes a escolas o meu primeiro dicionário, que o meu pai que me deu quando eu andava na primária e até tem a dedicatória dele. Um livro que ele achava que devíamos ter. Isso pode ser pretexto para representar à miudagem o valor dos dicionários. Ele também me deu “Os Lusíadas” e claro que não vou levar este livro para alunos do 2.º ano, mas quando penso nisso ocorre-me levar “Os Lusíadas para gente nova” do Vasco Graça Moura, um livro ótimo como só um grande conhecedor de Camões pode fazer. Enfim, são pretextos sobre pretextos.

É um mundo infindável?

Sim, e podemos abordá-lo de várias maneiras. Basta ter um pretexto, depois os miúdos interessam-se. A promoção da leitura não tem de ser sempre com literatura de ficção, alguns miúdos gostam mais de ciência ou de outro tema. Uma vez fui a uma sessão da Fábrica da Ciência [de Aveiro] que é estupenda em matéria de trabalho com os miúdos. A Rede de Bibliotecas Escolares tem uma experiência fantástica com eles, têm até uma parceria.

Aquilo ocorria num hotel e era um pequeno-almoço. Eles comiam o que queriam e falávamos de livros. Eu levava um conjunto de livros, de ciência, de ficção, de filosofia. Gosto muito de falar de filosofia para crianças, é um tema que cria muitas empatias. Gerou-se uma conversa com os miúdos, e via-se os interesses deles, comparava-se, uma discussão à volta de livros com canalha miúda, no meio de um pequeno-almoço importantíssimo, imagine-se, num hotel. Na conversa, percebemos quais são os temas que os interessam mais. Muitas crianças trazem um currículo oculto mais vasto que outras, por razões de família. O currículo oculto é muito importante, é por isso que a escola e as bibliotecas têm um papel nessa inclusão.

Como se revela esse currículo oculto?

Tenho a experiência de voluntária de leitura numa biblioteca de aldeia e basta conhecer a a história dos miúdos, das famílias, da própria aldeia, olho para eles e sei que vocabulário trazem. É um ecossistema. E o léxico de cada um faz a diferença na capacidade de leitor. Não é nenhum anátema, a escola pode bem, e deve, ultrapassar isso. É um grande desafio para a escola e para as bibliotecas. É na prática com as palavras, a brincar com elas, a saber usá-las, que percebemos as nuances. Podemos usar a literatura científica ou artística ou do desporto – por que não? Há miúdos que tendem para uma literatura e outros para outra. Eles trazem preferências muitas vezes marcadas pelos gostos dos pais, uns gostam de carros ou de motos, porque o pai tem, por exemplo, ou de surf, porque o pai faz. Mas é possível fazê-los ganhar outra lógica de interesses.

 

[Entrevista na LER de Março]