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Livros. Notícias. Rumores. Apontamentos.

A última semana da Sylvia Plath

Ainda os últimos dias de vida de Sylvia Plath e o diário de Ted Hughes. No Times Literary Suplement: «Ted Hughes called it the Sylvia Plath “Fantasia”. Writing to the Guardian in 1989, apropos of the controversy over his first wife’s grave in Yorkshire, he complained that when scholars approached him in the years after her death, he “tried to take their apparently serious concern for the truth about Sylvia Plath seriously”, but he soon learned the lesson that in trying to explain what really happened, “in the hope of correcting some fantasy”, he was all too often “accused of trying to suppress Free Speech”. He concluded that “The Fantasia about Sylvia Plath is more needed than the facts” and that this need rode roughshod over respect for the truth of her life and of his.» Por Jonathan Bate.

Qual Panteão? Deixem Eusébio.

Sugestão em duas linhas: deixem Eusébio sossegado no lugar onde sempre estará – na memória dos seus admiradores.

 

Amália e Eusébio foram os dois maiores heróis populares do século XX português. Houve outros – atores, can­tores, desportistas – mas nenhum atingiu a fama e o reconhecimento internacional comparáveis aos dos dois. Por mo­tivos insondáveis, os deputados da nação decidiram que o lugar do repouso eterno de Amália deveria ser junto de outras figuras luminosas como Manuel Arriaga, João de Deus e Teófilo Braga, aos quais nem o facto de os restos mortais se encontrarem protocolarmente depositados no Panteão salva da indiferença generalizada dos seus compatriotas. Agora, ainda transidos pela morte do grande futebolista, os deputados já decidiram que, com a brevidade que a lei e os costumes permitam, o corpo de Eusébio deverá ser encaminhado para esse lugar lúgubre onde tristemente se celebram os equivalentes modernos dos deuses do edifício mandado construir por Marco Agripa. Eu nunca estive no Panteão, mas estou certo de que, ­pagos os três euros do bilhete com direito a visita guiada, qualquer português sairá desse mausoléu secular reconciliado com a nação que o pariu e a ensaiar os versos cantados por Amália ou a escrever a sua própria cartilha maternal. Também não quero contrariar a generalidade dos portugueses que, a esta hora, já estão a subscrever inúmeras petições on­line para que o corpo de Eusébio seja trasladado – ou, se preferirem, transladado – para qualquer sítio ou, quem sabe, criogenizado para que, num futuro longínquo, a ciência o possa ressuscitar e devolvê-lo ao convívio dos homens que, na altura, estiverem a representar o País na Assembleia da República. No entanto, atrevo-me a sugerir que deixem Eusébio sossegado no lugar onde sempre estará: na memória dos seus admiradores. Bruno Vieira Amaral

 

A arte da antecipação

 

A Amazon de Jeff Bezos está a preparar-se para enviar encomendas aos seus clientes ainda antes de eles as fazerem. Confuso? Leia as instruções. 

 

Da Amazon, o gigante mundial da distribuição, já se espera tudo. Há uns meses, foi anunciado o proje­to de usar, num futuro próximo, drones para fazer entregas em qualquer ponto dos EUA num intervalo inferior a 30 minutos. Escolhe-se o que se quiser no site e meia hora depois um veículo voador do tamanho de um helicóptero telecomandado pousa no quintal das traseiras com a encomenda. Impressionante, sim, mas o engenhoso e insaciável Jeff Bezos não se fica por aqui em termos de arrojo tecnológico. Na ânsia de ser sempre mais rápida do que a concorrência, a Amazon está a preparar-se para enviar encomendas aos seus clientes ainda antes de eles as fazerem. Exato: é como se lhes adivinhassem os pensamentos e as intenções. Valendo-se das quantidades incalculáveis de informação armazenada sobre hábitos de consumo (das compras feitas no passado às wish lists, passando pelo tempo que o cursor permanece a pairar em cima de um determinado item), um sistema informático calculará que produtos terão uma probabilidade elevada de serem ­encomendados e acionará o respetivo «envio antecipado». Assim, quando o cliente clicar por fim no botão de compra, o produto já estará em trânsito, ou em espera num armazém mais próximo da morada de destino. Levada às últimas consequências, a ideia acabará por descartar a própria vontade do consumidor, esse obstáculo final à absoluta fluidez do sistema. Chegará o dia em que a Amazon anunciará o algoritmo capaz de definir – sem que tenhamos voto na matéria – o que na verdade cada um de nós precisa de ler, ver ou ouvir. José Mário Silva

Ilídio Matos: a agência literária (com o seu nome) continua

 

«Depois de alguns meses de transformações, mudanças e adaptações», Gonçalo Gama Pinto decidiu continuar o trabalho na agência de Ilídio Matos — a agência conservará o seu nome em homenagem à sua longa história e ao seu fundador.

A agência (que era em Benfica) passará agora a funcionar na Rua Passos Manuel (85 – 1º Dto., 1150-258  Lisboa), e o contacto por email é este: goncalo.gamapinto@ilidiomatos.com.

 

«Na história da edição portuguesa há nomes que nunca desaparecerão. Conhecemos os seus nomes: editores que arriscaram a vida e os cabedais, grandes revisores e leitores, excelentes livreiros, notáveis capistas – e agentes literários que quase ninguém conhece. Ilídio Matos (1926-2013) foi, durante anos, esse agente literário. Primeiro, em part-time atrevido; depois, ocupação principal, representando autores que iam de Agatha Christie a Hemingway, de Caldwell a Patricia Higshmith. Nas feiras internacionais de direitos (Frankfurt, Londres, etc.) ele foi, durante anos, o agente português – um George Smiley da nossa pequena edição: discreto (sabia guardar segredos), divertido, cauteloso, prudente, generoso e possuído pela loucura dos livros. Depois dos oitenta, Ilídio Matos continuou a trabalhar; era o seu único vício, além do anonimato. Até ontem. A edição portuguesa deve-lhe muitas homenagens.» (Francisco José Viegas, 13 Set. 2013)

Dinamarca, pois

A dinamarquesa Dorthe Nors foi muito festejada depois da publicação do seu primeiro livro nos EUA (Karate Chop, Graywolf Press), com direito a entrevista e crítica na New Yorker, e a uma duvidosa frase na engalanada Paris Reviewa writer of moments—quiet, raw portraits of existential mediation, at times dyspeptic, but never unsympathetic»); numa entrevista na The Atlantic, Nors explica quase tudo: «It's not drugs, poverty, or wild lovers that make a great writer. It's discipline and time alone.» Ah, Dinamarca, tão bem comportada...

Não há segredos de Cortázar

No ano do centenário de Julio Cortázar, Miguel Dalmau decide não publicar a sua biografia do escritor argentino: «Ante las reiteradas prohibiciones y amenazas de la agencia Carmen Balcells, y dado el elevado coste de producción que supone el extirpar del texto hasta la última línea, se ha decidido finalmente no publicar mi libro de Cortázar. Aparte del shock personal, el tema daría mucho para hablar. Y centrado además en minucias como la libertad de expresión.»

100 anos de Burroughs

Burroughs fotografado em 1965

 

Para fanáticos de William Burroughs, aqui está um quizz especial para assinalar os 100 anos do nascimento do autor de A Cidade das Noites Vermelhas. E um texto sobre Burroughs mais mito do que homem.

 

Burroughs (fumando), entre Allen Ginsberg e Jean Genet,

numa Convenção do Partido Democrático, em Chicago. © Hulton/Getty Images 

Burroughs com Dennis Hopper, 1977.

© The Guardian. Caterine Milinaire/ Caterine Milinaire/Sygma/Corbis

Os ingleses descobrem Lispector. Mas têm dúvidas.

 

Nicholas Shakespeare assina um artigo no The Daily Telegraph, onde assinala a presença da «grande feiticeira da literatura brasileira», e um dos símbolos do Brasil moderno, «juntamente com Pelé, o músico Caetano Veloso, o arquiteto Oscar Niemeyer e Copacabana» — além de, agora, comparada a Borges e Joyce. Um artigo para ler, juntamente com as dúvidas de Shakespeare sobre os «radical works» de Lispector.

Festival a festival

 

Festival Literário de Castelo Branco decorre esta semana. Entre outros, estarão na capital da Beira Baixa os autores Luís Miguel Rocha, Margarida Fonseca Santos, Afonso Cruz, André Letria, António Torrado, Daniel Oliveira, Fernando Dacosta, Maria João Fernandes ou Maria Manuel Viana.

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