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LER

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Romance de Agualusa adaptado ao cinema

Começa este mês no Brasil a rodagem do filme O Vendedor de Passados, baseado no romance de José Eduardo Agualusa. «Li o livro e me apaixonei. Conversei com Agualusa e disse que adoraria adaptá-lo para o cinema, mas queria que a história se passasse no Brasil. A partir disso, ele me deu total liberdade», afirmou em conferência de imprensa o realizador Lula Buarque de Hollanda. As filmagens decorrem no Rio de Janeiro e em Paulínia (São Paulo), e o filme tem lançamento previsto para o fim de 2012.

A estreia de novos talentos

Jorge Daniel tem 16 anos, vive na aldeia de Magueijia (Leiria) e é o primeiro vencedor de «15/25», páginas que a partir de janeiro orgulhosamente reservamos para que os mais jovens possam mostrar o seu talento em prosa, poesia, fotografia ou ilustração. O tema é livre e a morada revistaler15.25@gmail.com estará sempre de porta aberta. «15/25» é uma das grandes apostas da LER para 2012.

Língua movediça (I)

São dois diálogos esplendorosos, aqueles com que abre Sangue do Meu Sangue, o recente filme de João Canijo. Na cozinha, o mafioso Telmo tenta convencer uma filhota a comer, com a irmã mais crescidinha num delicioso jogo duplo. Logo a seguir, na saleta contígua (e o trabalho de câmara é sublime), o mafioso trava-se de razões com o moço traficante Joca, que vem confessar-se desfalcado duma pipa da massa. A autenticidade das falas é patente. Elas partem do real estado de espírito dos intervenientes, e não (como em soluções mais primárias) das casuais «deixas» alheias.

Quando, certa noite, o rapaz se prepara para um arranjo com o mafioso, a muito jovem tia Ivete é terminante: irá com ele. Vestida para sair, pondo a carteira ao ombro, diz: «Já chamaste o táxi?» E o rapaz, de costas para nós, uma voz de súplica: «Deixa-me ir sozinho.» Ela avança, rumo à porta, rumo a nós, passando rente a ele: «Vou bem assim?» É um prodígio de economia linguística. Andou ali mão de mestre. Ou de mestres, já que, no genérico, os diálogos têm atribuição plural. Os americanos, que são heróis nestas finezas, não fariam melhor.

Quando ainda tudo são rosas, a protagonista Márcia tem um monólogo, pensativo, ziguezagueante, enquanto a filha Cláudia toma um duche. «Mas eu vou sentir muita falta é de ti. Vai-me fazer muita falta, a Cláudia, muita falta, filha, vou ter muitas saudades tuas. Que a gente tá habituadas é a dormir juntas, n’é?» E por aí discorre. É ouro puro. 

As nossas conversas surgem-nos, de facto, atulhadas de minúsculas disfunções: a frase inacabada, a precipitação, o ajuste de rumo, o cultismo deslocado, a graça involuntária, o mal-entendido, o anacoluto ou falha lógica («Se chover, está aqui um guarda-chuva»), a formulação idiota que escapa ao interlocutor e por isso é certeira. Os bons autores de diálogos conhecem essas sinuosidades e, mais, têm a coragem de reproduzi-las. Tão bem o fazem que nos sentimos envoltos em realidade. Só não saberíamos dizer porquê.

 

A nova coluna de Fernando Venâncio. A partir de agora, e todos os meses, há língua movediça nas páginas da LER. Este é o texto de estreia.

Os hábitos, as leituras e os mais influentes

 

Para ficarmos a saber quem são atualmente as figuras que mais influenciam os hábitos de leitura dos portugueses, lançamos um desafio aos leitores da LER: enviem-nos a vossa votação para ler@circuloleitores.pt até ao final de janeiro. Depois de ponderados os votos dos leitores e dos muitos colaboradores habituais da revista (que por esta altura continuam a votar), publicaremos a lista dos 50 mais influentes numa das próximas edições, devidamente acompanhada de textos de enquadramento sobre o trabalho de cada um deles.

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