«Hoje, sexta-feira, 18 de Junho, José Saramago faleceu às 12.30 horas na sua residência de Lanzarote, aos 87 anos de idade, em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença. O escritor morreu estando acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila.» Comunicado da Fundação José Saramago.
Os retratos (três no total) foram agora recuperados na cidade francesa de Angers pela família do autor das fotografias, Raymond Duriez, companheiro de guerra de Antoine de Saint-Exupéry.
O manuscrito de O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam (1941), primeiro texto de Borges a ser traduzido para inglês, será leiloado dia 23 de Junho em Nova Iorque (dedicado a outras preciosidades literárias), por um preço que deve atingir os 300 mil dólares.
O catalão Juan Goytisolo (Prémio Nacional das Letras em 2008) e o novo género narrativo: a literatura sobre a literatura.
No dia em que se conhece o eleito para ocupar um novo lugar de Professor de Poesia em Oxford, o Guardian publica: «What is the future of poetry?».
A Presença oferece cinco exemplares de Perturbações Atmosféricas, de Rivka Galchen, aos primeiros cinco leitores (devidamente identificados) que respondam correctamente à pergunta: Como se chama a mulher do psiquiatra Leo Liebenstein, que desaparece misteriosamente? Apostas para marta.serra@circuloleitores.pt.
Título do livro de estreia na prosa do poeta Luís Carlos Patraquim que assinala os 35 anos da independência de Moçambique. Chega às livrarias a 25 de Junho, com edição da Porto Editora. Primeiras páginas aqui.
A Cavalo de Ferro disponibiliza em PDF as primeiras 30 páginas deste volume que reúne pela primeira vez todos os contos que Flannery O’Connor publicou em revistas literárias.
Explicações do esloveno Slavoj Zizek ao El País.
Há festa rija hoje em Dublin.
Naquela noite aconteceram tigres e foi assim pelo país inteiro. Na cidade de São Paulo da Assunção, a que os mais antigos, como eu, ainda dão o nome de Luanda, uma centena desses grandes gatos silvestres cruzou com suas ágeis patas de veludo a dormência da Ingombota. Muitos os viram. O lume dos olhos riscando o error da madrugada, detendo-se aqui para cheirar as brasas de uma fogueira já quase extinta, ali para sorver a fatigada lama de alguma cacimba. Avançaram depois sobre a praça, onde ficam as casas e palácios dos governadores e capitães gerais destes reinos e suas conquistas, com honrada e sumptuosa morada, e em frente o corpo da guarda, e uns poucos mais de passos adiante o Paço Episcopal, sito junto à Igreja Matriz e assim foram indo, alarmando uma companhia de empacasseiros, que não tentaram dar-lhes caça, antes deles se apartaram muito lestos e em altas vozearias e apupadas. Empacasseiros são soldados pretos. Todos se acham armados de espingardas. Vestem uma tanga feita da pele de algum animal selvagem, bem apertada à roda da cintura, e trazem na cabeça uma grinalda de penas. Têm fama de bons soldados, e homens bravos, mas neste caso não fizeram justiça à boa glória de que desfrutam, pois fugiram, como disse, em gritaria, e esse alarme despertou as famílias nos seus palacetes e sobrados e muita gente assomou às varandas, vendo, sem compreender, o mesmo que eu vi: tigres, às dezenas, varando as ruas. No dia seguinte corria o forte boato de que tais tigres mais não eram do que aquela depravada corte de seiscentos homens trajados como fêmeas com que Dona Ana de Sousa, a Rainha Ginga, para toda a parte se fazia acompanhar.
Quando os holandeses invadiram a cabeça destes reinos, províncias e senhorios, estando os portugueses em desesperada fuga para a Vila da Vitória de Massangano, propuseram alguns oficiais, pessoas inteligentes nos usos e costumes da terra, que se contratassem a negros encantadores para que fizessem entrar na cidade onças, leões e tigres, de forma que tais feras, enfurecidas, engulipassem as tropas invasoras. Opôs-se o bispo, pessoa de muita fé, dizendo que não convinha a estratégia, pois não era guerra limpa, se não bastante suja, visto recorrer a artes do maligno, e não se fez o referido trato, o que no meu juízo foi muita pena.
Excerto do segundo capítulo de Milagrário Pessoal, novo romance de José Eduardo Agualusa, a publicar brevemente pela D.Quixote.
Começa hoje em Lisboa e prolonga-se até 26 de Junho nos palcos do Musicbox, do Instituto Franco-Português, do Goethe-Institut Portugal, do Teatro Maria Matos ou do Cinema Nimas. Confira a programação completa.
Amanhã, na Casa Fernando Pessoa, a partir das 18h30.
«Os livros eletrónicos chegaram, mas percebemos que sua vida útil não passa de dez anos.» Umberto Eco ao Caderno 2, do Estadão.
«No Funchal, em vésperas da Segunda Guerra Mundial, a comunidade judaico-alemã residente descobre-se confrontada com uma imitação grotesca, embora persistente e eficaz, da perseguição política a que escapara.» O Bazar Alemão (Dom Quixote), de Helena Marques, chega às livrarias a 18 de Julho.
Manuscritos, cartas, cadernos e até boletins escolares, avança o Guardian.
A revista Ñ recupera um texto de Pier Paolo Pasolini publicado no Corriere della Sera em 1965.
«O que está em crise na Europa e em Portugal é o Estado e não a identidade. E são as identidades que precisam de ser defendidas porque são a pedra de base para a reorganização que precisamos», afirmou Adriano Moreira no discurso de abertura. Notícia no Público.
«Não é de estranhar que a Itália, com a mesma percentagem de leitores de Portugal, seja o quinto maior mercado mundial do livro, bem à frente de países com populações maiores. Um mercado em que a facturação de um trimestre de apenas um dos três maiores grupos é equivalente ao total do nosso mercado nacional. E nós, com um mercado de exportação infinito quando comparado com o italiano... Foi preciso a entrada de capital financeiro de outras áreas no mercado do livro para a política perceber que este até é um sector importante da economia e não apenas um objecto de conversas de salão. Mas, por enquanto, e parece-me que ainda será por muito tempo, teremos apenas a velha lei do preço fixo como único instrumento de apoio sério ao sector. Merecíamos todos melhores políticos? Sim, merecíamos.» Texto completo de Diogo Madre Deus, editor da Cavalo de Ferro, no Blogtailors.
«Frente à desesperança, à resignação ou ao vitimismo, a sua obra traça uma linha própria para a tolerância e a reconciliação, uma ponte fundada nas raízes comuns dos povos e das culturas.» Entrevista, notícia e texto de Luis Sepúlveda no El País.
Mais uma oportunidade de para ler Juan Rulfo: O ‘llano’ em chamas (1953), Pedro Páramo (1955) e O Galo de Ouro (novela póstuma, 1980) num único volume editado pela Cavalo de Ferro. Nas livrarias a 24 de Junho.
«Mesmo pretendendo contá-la como se fosse apenas uma estória, nada nos impede de a começar acompanhando a escolta militar que vai conduzir o coronel Bezerra de Oliveira através das ruas de Lisboa a caminho da forca do Rossio.» Primeiro parágrafo de A Morte do Ouvidor (Caminho), romance histórico que marca o regresso de Germano Almeida. Nas livrarias na última semana de Junho.
O único romance completo (1947) que Vergílio Ferreira deixou inédito chega às livrarias na sexta-feira.
Notícias, rumores, invenções e impropérios para ler@circuloleitores.pt
1. Os 50 autores mais influentes do século XX.
2. Dez cidades para visitar com livros debaixo do braço.
3. Charles Darwin, 200 anos depois.
4. «O Magalhães é o maior assassino da leitura em Portugal.»
5. Última entrevista de António Barahona.
6. Inéditos de Fernando Pessoa.
7. John Milton por João Pereira Coutinho.
8. «O meu mal é ter uma curiosidade de puta.»
9. Entrevista Luis Sepúlveda.
10. «Já quase pareço um escritor.»
11. Entrevista Eduardo Lourenço.
12. Breve Introdução à Teoria Literária.
13. Agustina, a indomável.
14. Trinta livros do PNL.
15. Entrevista A. M. Pires Cabral.
16. Dinis Machado: «Só quis escrever um livro».
17. Retratos de um Nobel.
18. Os últimos e-mails de Stieg Larsson.
19. Os 200 anos de Edgar Allan Poe.
20. Knoxville, o território de McCarthy.
21. O bibliotecário ambulante.
22. Dez escritores europeus que (já) mereciam ser traduzidos em Portugal.
23. Entrevista Mia Couto.
24. Entrevista Vasco Pulido Valente.
25. Inéditos Vinicius de Moraes.
26. Os heterónimos de Eduardo Lourenço
Outras leituras
«Volviendo a John le Carré» (Antonio Muñoz Molina)
«A Country Without Libraries» (Charles Simic)
«The Translation Gap: Why More Foreign Writers Aren’t Published in America» (Emily Williams)
«The Godfather of the E-Reader» (Jennifer Schuessler)
«The Philosophical Novel» (James Ryerson)
«The Case of the First Mystery Novelist» (Paul Collins)
«The lost art of handwriting» (Umberto Eco)
«Our Boredom, Ourselves» (Jennifer Schuessler)
«Scandinavian Crime Wave» (Nathaniel Rich)
«When Bad Covers Happen to Good Books» (Joe Queenan)
«Tintinabulation» (Bruce Handy)
«Inside the Secret World of Literary Scouts» (Emily Williams)
«Advantage Google» (Lewis Hyde)
«Texts Without Context» (Michiko Kakutani)
«Bookmarkism: The New Ideology» (Robert Nagle)
«The Autobiography of J.G.B.» (J. G. Ballard)
«J. G. Ballard, Poet of Desolate Landscapes»
«When Writers Speak» (Arthur Krystal)
«Reading by the Numbers» (Susan Straight)
«What I heard at J.D. Salinger’s doorstep» (Tom Leonard)
«Why hasn't there been a science fiction Booker winner?» (Adam Roberts)
«Freyre, Euclides e o Brasil» (Daniel Piza)
«Las cartas íntimas de Beckett» (J. M. Coetzee)
«Entrevista Günter Grass» (Juan Cruz)
«Eudora Welty's centenary» (Paul Binding)
«Juan Benet: en un tiempo de silencio» (Manuel Vicent)
«Richard Poirier: A Man of Good Reading» (Alexander Star)
«Sumergirse en Benet» (Álvaro Colomer)
«Interview with Seamus Heaney» (Sameer Rahim)
«Robert Capa - La muerte y el azar» (Guillermo Altares)
«Why do Pynchon, Ballard and Wallace provoke such online loyalty?»
«Richard Poirier: A Man of Good Reading» (Alexander Star)
«Philip Larkin Letters» (John Shakespeare)
«Una vida absolutamente maravillosa» (Enrique Vila-Matas)
«Poética de los escaparates» (Antonio Muñoz Molina)
«In the South» (Salman Rushdie)
«Our George Steiner Problem – and Mine» (Lee Siegel)
«Poets, Academia: A Couplet in Conflict» (David Orr)