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Prémio Branquinho da Fonseca para Mariana Roquette Teixeira

O Pintor Desconhecido, a publicar em 2010 pela Livros Horizonte, conquistou a «modalidade infantil» do Prémio Branquinho da Fonseca/Expresso/Gulbenkian. A autora, Mariana Roquette Teixeira, recebe hoje o galardão na sala 1 da Fundação Gulbenkian, a partir das 18h30. «O júri, composto por Ana Maria Magalhães, Inês Pedrosa, José António Gomes, Maria Manuela Goucha Soares e Maria Helena Melim Borges, deliberou não atribuir o prémio na modalidade juvenil, por considerar que nenhum dos 21 originais concorrentes se enquadrava nos objectivos com que o prémio foi instituído: incentivar a escrita de um texto de ficção dirigido a pré-adolescentes ou adolescentes.»

Antologia da Poesia Portuguesa apresentada hoje

Poemas Portugueses – Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI  é apresentada hoje, às 19h, na Fundação Medeiros e Almeida, em Lisboa. Oitocentos anos de poesia, 267 autores e mais de dois mil textos, com prefácio de Vasco Graça Moura. Coordenação e organização Jorge Reis-Sá e Rui Lage:
 

«Esta é a primeira antologia panorâmica que abarca a poesia portuguesa desde os seus alvores, na transição do século XII para o século XIII, cerca de seis décadas após o nascimento do Reino de Portugal, até ao presente, entendendo-se por presente o ano de 2008, data dos poemas mais recentes aqui recolhidos. Em consequência desta novidade, surge uma outra: a de ser esta a primeira vez que todo o arco temporal do século XX é objecto de um projecto antológico não exclusivo, isto é, nem temático, nem tendencioso. Por outras palavras, esta antologia, passe a redundância, começa no começo, e termina na actualidade. [...] Nestas mais de 2000 páginas coexistem, diacronicamente, mais de 800 anos de poesia, desde a "Cantiga de Garvaia" de Paio Soares de Taveirós, datável do primeiro decénio do século XIII, até Outubro de 2008, data do mais recente poema aqui incluído, "Rasto", de Luís Quintais.»

Prémio Eça de Queirós

A Fundação Eça de Queiroz prepara o lançamento de um novo prémio cultural em homenagem ao autor de Os Maias, associando-se para isso a várias autarquias e empresas da região de Baião. «É nossa intenção que o prémio não se limite à literatura, mas que abranja também a fotografia, a pintura e outras expressões culturais», afirmou à agência Lusa o autarca José Luís Carneiro. Isabel Pires de Lima, antiga ministra da Cultura, é a responsável pela regulamentação deste prémio anual que não tem ainda valor pecuniário definido.

«Vamos andando, apesar de tudo»

Um bom indício do modo como nos relacionamos com Portugal são as nossas autofigurações, as feitas e as por fazer. Quanto às feitas, reparemos em duas, uma popular e outra erudita.

A popular é certamente o Zé Povinho. Desde que Bordalo a pintou, foi constantemente reproduzida e encontramo-la em todo o lado. Mas que significa ao certo? Ignorância ou esperteza? De tudo um pouco, como se tem dito e escrito, em análises rápidas ou de maior fôlego. Mas é exactamente nessa indefinição que ela pode servir para caracterizar a relação que mantemos connosco próprios, ou com o país no seu todo. Coexistimos uns com os outros - e, cada vez mais, com os estrangeiros - em subalternidade e atraso ou em esperteza, razoável desconfiança e quase «retranca» galega?
A erudita encontra-se nos painéis de Nuno Gonçalves. Quando foram, também eles, «descobertos», logo atraíram como um íman uma atenção crescente e vivaz. Passou um século e continuam a olhar-nos, com aquelas dezenas de olhos que nos perscrutam e avisam, não sabemos bem de quê. Nunca uma obra de arte nos interrogou tanto, motivando sucessivas interpretações, tanto dela como nossas. Interpretações, aliás, que aparecem quase como urgentes, para decifrarem finalmente um enigma que é existencial e de nós todos. Como se Portugal se depreendesse dali, como «mensagem», para falar segundo Pessoa, ou como «navegação», para falar segundo Sophia...
Mais enigmaticamente - ou sintomaticamente - há autofigurações não feitas. Escolho uma, por de mais eloquente: estátua que nunca se colocou no pedestal do alto do Parque Eduardo VII. Fosse ou não para Nun'Álvares/Santo Condestável, tratar-se-ia sempre de um «umbigo de Portugal», quase como o de Delfos fora o do mundo. Detecta-se uma polémica em torno daquele lugar vazio, daquele pedestal agora desfeito. Como se já não tivéssemos figuração possível. Como se a relação com Portugal já não lhe encontrasse rosto.
Aqui chegámos, finalmente. Mais como interrogação do que como certeza. Vamos andando, apesar de tudo. E, muito à portuguesa, «depois se verá». O que também é já um grande saber de experiência feito.
 
Excerto de Portugal e os Portugueses (Assírio & Alvim, 2008), de Manuel Clemente, bispo do Porto e vencedor do Prémio Pessoa 2009.