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LER

Livros. Notícias. Rumores. Apontamentos.

Gore Vidal: uma ditadura nos EUA

Gore Vidal não faz por menos: «We’ll have a dictatorship soon in the US.» É o que diz ao Times de Londres.

Algumas frases para abrir o apetite:

Sobre o passado e o presente dos EUA: «One thing I have hated all my life are liars and I live in a nation of them. It was not always the case. I don’t demand honour, that can be lies too. I don’t say there was a golden age, but there was an age of general intelligence. We had a watchdog, the media.»

Sobre Obama: «He f***ed it up. I don’t know how because the country wanted it. We’ll never see it happen. [.]Maybe he doesn’t have one, not to imply he is a fraud. He loves quoting Lincoln and there’s a great Lincoln quote from a letter he wrote to one of his generals in the South after the Civil War. ‘I am President of the United States. I have full overall power and never forget it, because I will exercise it’. That’s what Obama needs — a bit of Lincoln’s chill

Sobre a infecção religiosa: «Today religious mania has infected the political bloodstream and America has become corrosively isolationist, he says. “Ask an American what they know about Sweden and they’d say ‘They live well but they’re all alcoholics’. In fact a Scandinavian system could have benefited us many times over.” Instead, America has “no intellectual class” and is “rotting away at a funereal pace. We’ll have a military dictatorship fairly soon, on the basis that nobody else can hold everything together. Obama would have been better off focusing on educating the American people. His problem is being over-educated. He doesn’t realise how dim-witted and ignorant his audience is. Benjamin Franklin said that the system would fail because of the corruption of the people and that happened under Bush»

 

 

Editorial

Reinhard Mohn, 1921-2009

 

Desde que entrei para os quadros do Círculo de Leitores, em 1986, a figura de Reinhard Mohn foi, sempre, mais do que uma figura tutelar da companhia. E muito mais do que a do CEO, como hoje imaginamos os CEO e os CFO. Há vinte anos, gerir uma companhia de edição e média implicava muito mais, sempre muito mais, do que a contemplação e as decisões sobre matérias exclusivas de gestão financeira. No caso de Reinhard Mohn, havia a História, e a travessia que lhe associámos sempre, a de um homem que construiu um império com base em duas circunstâncias especiais: a necessidade e a capacidade de inventar. A necessidade, provavelmente, veio primeiro em nome da velha e semi-destruída empresa familiar que Mohn teve de reerguer dos escombros da II Guerra e do nazismo; a capacidade de inventar foi o mais comovente, quando se recorda a maneira como começou a nova Bertelsmann e como se exportou essa ideia, da Alemanha para o resto do mundo, com os clubes do livro transformados em duplo emblema (empresarial, por um lado; de elevada responsabilidade social, por outro). Essa Bertelsmann que conheci há vinte e três anos não tinha ainda atravessado as vicissitudes da crise global dos média, mas recusava-se a parar no tempo, insistia em inventar, em criar, em apoiar os artistas, intelectuais, escritores e editores que trabalhavam consigo. Conhecer esse universo foi uma das mais marcantes experiências da minha vida. Conhecer -- mais do que superficialmente, apenas de passagem -- Reinhard Mohn foi um momento único, no antigo Great Ballroom do hotel Intercontinental de Frankfurt, entre duas ou três frases de pompa e de circunstância. Fui-lhe apresentado por duas pessoas com que trabalhei na época (Manfred Grebe, então administrador do Círculo de Leitores, e Gerhard Greiner, responsável pela divisão de clubes do livro, antes de ter assumido a responsabilidade pelas aquisições da companhia nos EUA). Cumprimentámo-nos mais duas vezes, em circunstâncias semelhantes; e ele perguntava «como vai Portugal?». Aprendi bastante, nesses tempos em que vivi mais perto da Bertelsmann: uma dimensão ética na vida empresarial; um compromisso permanente entre a companhia e os seus colaboradores (que incluía a entreajuda em casos pessoais, para além do pacto social estrito); o dever de os gestores conhecerem a fundo a vida da empresa, o que incluía a obrigação de conviver com todos os sectores e com todos os trabalhadores da companhia. Essa dimensão ética da vida na empresa não pode conceber-se sem o papel de Reinhard Mohn ao comando, e sem o papel que viria a ser desempenhado pela Fundação Bertelsmann, hoje proprietária da revista LER.

Tenho uma grande simpatia pelos velhos valores. Não por ser conservador, mas por verificar que são melhores. Mohn era um dos representantes desses valores -- de solidariedade, de colaboração, de fé. Era um homem que lia, que lia muito, e a quem a Europa deve o facto de ter contribuído decisivamente para a história da leitura e da edição de grande qualidade.

Francisco José Viegas

Reinhard Mohn

Morreu Reinhard Mohn, fundador da Bertelsmann.

 

  • Comunicado oficial da Bertelsmann.
  • No ABC: «Muere Reinhard Mohn, el hombre que hizo del mundo un círculo de lectura.»
  • Também no ABC, artigo de Hans Meinke, antigo responsável pelo Circulo de Lectores: «En estos tiempos de crisis, en que urge en el mundo el establecimiento de un orden basado en objetivos éticos y comportamientos humanos que concilien el derecho de los ciudadanos con los intereses y objetivos de la sociedad, se hace especialmente patente la necesidad de empresarios como Reinhard Mohn. La motivación económica, la responsabilidad social y la cultura democrática no eran para él elementos incompatibles sino factores constitutivos e inseparables del imperativo empresarial.»
  • No The Wall Street Journal: «During a career that spanned more than a half-century, Mr. Mohn oversaw the expansion of his family's company away from its core book printing and publishing business into magazines, music and television. He leaves behind a company that straddles a broad swath of the European media landscape, from RTL Group, Europe's leading commercial broadcaster, to Gruner + Jahr, its biggest magazine publisher. Bertelsmann also owns U.S.-based Random House, the world's largest book publisher. Mr. Mohn prided himself as a management theorist and philanthropist. He wrote many works on business ethics and corporate social responsibility. Bertelsmann's success was only possible, Mr. Mohn stressed, because "ethical considerations have always managed to take priority."»
  • No El Pais: «"Leer requiere un hábito, que se produce desde la infancia y que no se improvisa ni se mantiene si no se ejercita", decía Reinhard Mohn a este periódico en 1990. Ayer, este empresario alemán moría en su casa de Gütersloh, en el land de Renania del Norte-Westfalia, a los 88 años. Había fundado el poderoso grupo editorial Bertelsmann y más tarde la fundación del mismo nombre. En 1998, le fue concedido el Premio Príncipe de Asturias de Comunicación y Humanidades por el desarrollo de un novedoso modelo empresarial en el ámbito de la cultura y la comunicación, y como reconocimiento a la difusión cultural y al fomento de la lectura.»
  • Igualmente no El Pais, artigo de Ricardo Díez Hochleitner, dirigente da Fundação Bertelsmann: «Reinhard Mohn ha demostrado que el éxito de una empresa depende decisivamente del desarrollo y la potenciación de su capital humano. Él mismo escribió un libro titulado El triunfo del factor humano, que yo tuve el honor de prologar tras ser aceptado como informe al Club de Roma y habérsele concedido el título de miembro de honor del Club de Roma.»
  • No Público: «A história de sucesso da Bertelsmann começou com a ideia de Reinhard Mohn de criar um círculo de leitores, nos moldes em que ainda é conhecido actualmente, com associados que têm acesso a edições exclusivas, a preços módicos»
  • No The Hollywood Reporter: «With his open management style and social conscience, Mohn came to represent a particular kind of new German entrepreneur walking the line between raw American capitalism and European state-heavy socialism. At his death, the Mohn family fortune was estimated at more than $8 billion.»
  • No La Vanguardia: «El empresario del grupo editorial, creador del Club Círculo de Lectores, fue Premio Príncipe de Asturias de Comunicación y Humanidades en 1999.»
  • No Financial Times: «Steps were taken to ensure Bertelsmann's long-term independence. In 1993, Mohn transferred a majority of Bertelsmann's capital shares to the Bertelsmann foundation, which today owns 76.9 per cent - the remainder are held by the Mohn family. A few years later, he transferred voting rights at Bertelsmann's annual meetings to a separate administrative company, run by a six-person board on which the Mohn family has three seats.»
  • No canal Bloomberg: «Unable to get enough funding from banks to rebuild the business, Mohn turned to employees to invest their labor in return for a share in profits.“I asked myself what I needed to do in order for people to join me in rebuilding the company,” Mohn said, according to the Web site. “They all wanted a roof over their heads, and they wanted secure jobs.” The business model earned the former Third Reich officer the moniker “Red Mohn.”»
  • Na Variety: «Mohn's legacy includes a corporate culture in which companies and divisions are given maximum entrepreneurial autonomy and employees are included in the decision-making process and given a share in the company's success.»
  • No canal Reuters: «Five facts about Bertelsmann's Reinhard Mohn»
  • Na Billboard: In over 60 years of active service with the group, he is credited with building Bertelsmann from its immediate post-war status as a German printer and book publisher (founded in 1835) into an international enterprise, which today employs more than 100,000 people in over 50 different countries. Key to Bertesmann's expansion under Mohn was its involvement with the booming mail order book club business during the 1950s.»
  • Na CNN: «Bertelsmann expanded into encyclopedia publishing and the music business in the 1960s, and introduced an employee profit-sharing scheme in 1970, earning its head the nickname "Red Mohn." [...] "Only those enterprises whose employees can identify with their company will be fit to master the challenges of the future, and such an attitude requires material justice," Mohn said at the time.»
  • No Expansión: «Mohn era de carácter sencillo, pero tenía una gran capacidad de concentración y resistencia. No le gustaba el alboroto, y los entrevistadores se quejaban de que mantenía conversaciones a un nivel estrictamente práctico. En el perfil oficial de su página de Internet, Bertelsmann decía que a Mohn no le gustaban las jerarquías rígidas: “Bajo las órdenes del nacismo, había comprobado adónde te puede llevar la obediencia ciega a la autoridad... Dotó a la creciente empresa de una estructura descentralizada y delegó responsabilidades”, aseguraba. 

    En su libro, “El éxito a través de la asociación”, Mohn señalaba la necesidad de que se creara un nuevo tipo de relación entre empleados, proveedores de capital y gobiernos. Mohn también abogó por un papel más dinámico para los consejos de supervisión –que controlan a los consejos de administración bajo el viejo sistema alemán de doble supervisión–. Cuando las empresas tenían problemas, por lo general era culpa del consejo de supervisión. En su opinión, “O la gente no era la adecuada, o actuaba mal y las cosas no se examinaban de forma adecuada, o realmente no tenía los conocimientos adecuados sobre gestión”.»

 

A companhia Bertelsmann, hoje.

 

LER hoje nas bancas!

Na arca de Eduardo Lourenço escondem-se heterónimos, Tristão Bernardo, Tristão Georges, Tristão Nadal, «máscaras transparentes que revelamos em exclusivo em páginas muito especiais: inéditos, análise, entrevista, etc. «Não quero que a escrita tome conta de mim. Ficava louco», confessa Mia Couto, entrevistado por Carlos Vaz Marques. Rogério Casanova analisa, em cinco partes pormenorizadas, o mundo vertiginoso de Roberto Bolaño a partir da sua obra-prima inacabada (2666). Luísa Costa Gomes responde a José Riço Direitinho sobre a paródia do Second Life e a nova solidão. Filipa Melo partilha as notas de leitura do novo romance de António Lobo Antunes. E o provedor alertaos vampiros já invadiram a literatura portuguesa! (com ponto de exclamação e tudo, que também é tema em algumas páginas). Mas há mais, como habitualmente: crónicas, excelentes crónicas, críticas, extractos, listas, tops, histórias e outros apontamentos, manifestos, ilustrações, prémios e um sofá sempre vermelho. 

 

Também pode comprar o seu exemplar aqui ou fazer uma assinatura anual.

Confraria chega a Lisboa

Depois de quatro anos em exclusivo na web, a revista Confraria converte-se ao papel, com edição no Rio de Janeiro e em Lisboa. O número inaugural, apresentado no Brasil a 14 de Setembro, já está disponível em Portugal, mas por agora ainda só na capital (nas livrarias Poesia Incompleta, Trama, Letra Livre e Pós dos Livros). «Para além de dossiês sobre vanguardas internacionais, perfis de autores menos conhecidos e entrevistas, a revista oferece também textos críticos, filosóficos, contos e poesia, sendo cada edição ilustrada por um artista plástico convidado», lê-se no e-mail. «Neste primeiro número pode encontrar material inédito de Arnaldo Antunes, Gonzalo Rojas, Maria do Rosário Pedreira, Octávio Paz, Raimundo Carrero e E.M. de Melo e Castro.» A edição em Lisboa é coordenada por João Miguel Henriques (joao@confrariadovento.com).

Os heterónimos de Eduardo Lourenço

«Não há ninguém para apresentar Tristão Bernardo como eu mesmo. Serve-se melhor quem o faz por suas mãos. Como Napoleão (não exageres rapaz) coroar-me-ei por minhas mãos, mas será uma coroação como a de Quincas Borba: com uma coroa de Nada.»

11 de Setembro de 1953 in Diário

 

Conheça Tristão Bernardo, Tristão Georges, Tristão Nadal e outros inéditos da arca do autor de O Labirinto da SaudadeLER nas bancas a partir de amanhã!

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