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LER

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Jean-Louis Fournier e Sandro Veronesi vencem Femina

O escritor italiano Sandro Veronesi foi hoje distinguido com o Femina de romance estrangeiro pelo livro Caos Calmo, lançado este ano em Portugal (ASA). Na categoria de autores franceses, o prémio será entregue a Jean-Louis Fournier pelo romance Où on va papa?.

 

José Riço Direitinho escreveu sobre Caos Calmo na edição de Setembro da LER.

Pietro Paladini, o personagem principal deste excepcional romance de Sandro Veronesi (n. 1959, Florença), tem 43 anos e é director de um canal privado de televisão em Milão. Num dos últimos dias das férias estivais salva uma desconhecida de morrer afogada. Atónito por não ter ouvido nenhuma palavra de agradecimento, Pietro encaminha-se para casa. Ao chegar, Lara, a mulher com quem, após anos de coabitação, iria finalmente casar daí a dias, acabara de morrer. Depois deste começo agitado, e perturbante pela simultaneidade dos acontecimentos e pelas descrições vívidas, Sandro Veronesi entra verdadeiramente na «ideia» que o romance encerra; e o feliz oxímoro que o titula, «caos calmo», pode resumir todo um catálogo de preocupações e de fantasmas do ser contemporâneo. E fá-lo, de facto.
Pietro e a filha, Claudia, dias depois do funeral de Lara, que se realiza no mesmo dia para o qual o casamento estivera marcado, tentam retomar as suas vidas quotidianas. Estranhamente (esta estranheza mantém-se até ao final do livro), a morte parece não os ter afectado. Mas Pietro sabe que isto «não é normal», que a «cacetada» que os deitará abaixo poderá vir quando menos a esperarem. E, por precaução, decide deixar-se ficar durante esse dia diante da escola, dentro do carro, ouvindo Radiohead («we are accidents waiting to happen») ou dando uns passos por ali, para que quando a «cacetada» chegar não o encontre entre faxes e reuniões. No dia seguinte faz o mesmo, e no outro e no outro. O que começou como uma precaução torna-se num hábito que durará até ao dia em que a filha o «obriga» a descobrir o valor da sinceridade.
Sandro Veronesi – que com este romance, premiado com o Strega 2006 e com o Mediterranée 2008, se tornou provavelmente no mais importante autor italiano da sua geração – consegue manter a delicada estrutura que lhe permite reflectir intensamente sobre temas como a morte, sofrimento, amor, fidelidade e loucura. O caos calmo que subjaz toda uma sociedade vai desfilando diante do leitor à medida que vários personagens (o patrão de Pietro, o irmão, a cunhada, etc.) o vão visitando diante da escola, não para lhe expressarem as suas condolências mas para lhe confessarem as suas inseguranças e frustrações; o carro transforma-se assim numa espécie de divã e de confessionário da nossa contemporaneidade.
Com registos como o e-mail, a prosa erótica «dura», o monólogo e o diálogo, Caos Calmo é um magnífico retrato geracional e um dos melhores romances por cá publicados este ano.

Sandro Veronesi, Caos Calmo. Traduzido do italiano por Regina Valente. ASA, 396 páginas.

Um best-seller canadiano

A Caderno acaba de publicar A Gárgula, romance de estreia de Andrew Davidson. A Doubleday comprou os direitos do livro por cerca de 805 mil euros - ainda assim, algumas das apostas desta editora não obtiveram os resultados esperados este ano. «É evidente que escrevi este primeiro romance sem qualquer tipo de pressão», revela o autor canadiano em entrevista ao Diário de Notícias. «Ninguém sabia quem eu era. Vivia no Japão a dar aulas de Inglês e a escrever o meu romance durante a noite. Claro que agora há essa pressão de ser conhecido, mas tenho esperança de que quem leu o meu primeiro romance queira ler o segundo, o terceiro... Contudo, a grande pressão que sinto não é essa. É a minha ambição de querer escrever melhor hoje do que escrevi ontem. E esse tipo de stress sempre existiu. Só que agora há mais gente a observar-me.»

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