Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

LER

Livros. Notícias. Rumores. Apontamentos.

Agualusa em NY.

 

Crítica de Anderson Tepper ao The Book of Chameleons, de José Eduardo Agualusa (trata-se da tradução de O Vendedor de Passados), na Time Out de Nova Iorque, desta semana:

«How to describe José Eduardo Agualusa, the young, award-winning Angolan author of The Book of Chameleons? An African Kafka? A more tropical Borges? Like the Mozambican writer Mia Couto, he blends elements of Latin American–style magic realism with political satire. He’s a genre-shifter, an iconoclast and one of the most inventive new voices coming from Africa today. Just consider this new novel: Narrated by a gecko, it’s a book of both energetic ideas and thrillerlike drama.

 

The main character, Félix Ventura, is a man very much in demand with Angola’s newly rich—the various “businessmen, ministers, landowners, diamond smugglers, generals” and others out to take advantage of the boom after decades of civil war. It’s his job to reinvent their personal histories and retouch their brutal pasts in order to brighten their future. His motto is “Give your children a better past,” and his career allows Agualusa to cleverly tease out the themes that drive the book: the elasticity of memory and history, and the power of personal and national identities to become self-perpetuating myths. Angola, “a fantasy country,” reimagines itself daily.

 

But don’t think for a moment this is an arid, overly cerebral text. The book springs to life in short, eccentric vignettes, mostly told from the ceiling-eye view of Eulalio, a gecko who appears to be the reincarnation of a famous, Borges-like writer. This lizard quietly watches as Felix becomes entangled with his nefarious clients, who include a mysterious photojournalist and a former government Marxist who now lives underground. Not surprisingly, none of them will be able to entirely transform themselves enough to escape the violent secrets of their pasts.»

Imperdível

 

Imperdível, hoje, às 18h30, na Biblioteca Nacional, em Lisboa, um frente-a-frente com José Saramago e María Kodama, a viúva de Jorge Luis Borges. O tema: Jorge Luis Borges. Organização da Fundação José Saramago, em colaboração com a Teorema. Fernando Pinto do Amaral e José Colaço Barreiros, dois dos tradutores das Obras Completas de Borges, editadas pela Teorema/Círculo de Leitores, estarão presentes. Kodama antecipou algumas revelações ao Diário de Notícias.

Pré-publicação

    

 

O novo livro de José Mário Silva, Efeito Borboleta e outras histórias (Oficina do Livro), chega às livrarias na próxima semana, mas já pode ler aqui um dos contos.

 

 

QUATRO PREGOS
 
      A campainha tocou uma, duas, três vezes. À quarta, Pete praguejou, desceu do escadote, pousou o martelo na mesa da sala e foi abrir a porta das traseiras. Entre os lábios, com a ponta afiada para fora, quatro pregos.

      Mal o viu, reconheceu imediatamente o rosto atrás da rede. Era Carver, Raymond Carver, o vizinho escritor e alcoólico. Um homem metido para dentro, pouco falador. Sabia que ele tinha publicado dois ou três livros de histórias curtas, mas não lera nenhum. Olivia, com o cinismo velhaco que usava contra tudo e contra todos, costumava dizer que se ele fosse um grande escritor, dos verdadeiramente bons, não viveria decerto naquele bairro.

      «Desculpe incomodá-lo, mas pode oferecer-me alguma coisa que se beba?», perguntou Carver, coçando a barba mal feita. Saliva nos cantos da boca seca, olhos semicerrados por causa da luz forte do meio-dia. «Não sei onde meti as chaves de casa e a minha mulher só deve estar de volta daqui a umas horas.» Pete abriu a porta de rede, guardou os pregos no bolso e foi buscar gin, copos, duas cadeiras, um balde de plástico com gelo.

      Daí a muitos anos, pensou, aquele desgraçado de mãos trémulas talvez viesse a inclui-lo, a ele, Pete, com outro nome mas os mesmos gestos, num conto qualquer. Tinha quase a certeza de que o faria. E meia garrafa de gin era um preço perfeitamente aceitável para aceder a essa espécie de eternidade.

Todorov galardoado

O Prémio Príncipe das Astúrias de Ciências Sociais foi atribuído hoje a Tzvetan Todorov, semiólogo e historiador francês de origem búlgara. Alguns dos seus livros estão publicados em Portugal: A Nova Desordem Mundial (Asa), A Conquista da América (Martins Fontes), Dicionário das Ciências de Linguagem (Dom Quixote).

 

Dom Quixote em leilão

Hoje é o segundo e último dia do leilão de parte da biblioteca de Guilherme Goldegel de Oliveira Santos. Segundo o jornal Público, a peça mais valiosa do conjunto é um exemplar da segunda edição portuguesa de Dom Quixote de La Mancha (1605), de Cervantes. Às 21h30, na Renascimento, em Lisboa. O catálogo pode ser descarregado aqui.

Prémio Miguel Torga

Na Terra dos Homens, obra de ficção de Marlene Correia Ferraz, ganhou o Prémio Literário Miguel Torga - Cidade de Coimbra. «Na variedade das histórias contadas», concluiu o júri, «corre uma mesma ternura e uma filosofia de vida dominada por um registo emotivo.»

Prémio de Conto para Ondjaki

O livro Os da Minha Rua, editado pela Caminho, valeu ao escritor angolano Ondjaki o Grande Prémio de Conto «Camilo Castelo Branco» 2007, no valor de cinco mil euros, atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores. Ondjaki acaba de lançar AvóDezanove e o Segredo do Soviético, também pela Caminho.

Campanha aliciante

O novo Progressive Book Club, nos Estados Unidos, criou uma campanha para ganhar leitores: podem comprar três livros por três dólares (perto de dois euros) e em troca só têm de garantir a aquisição de quatro durante os próximos dois anos. A história vem contada hoje no The New York Times.

 

Os saramaguianos

A Fundação José Saramago tem um blog. Excerto do texto de abertura: «Nós, os saramaguianos, uma espécie autóctone que se produz em vários continentes e em qualquer terreno, estávamos a precisar de um blog para trocarmos as nossas impressões de leitores atentos.»