Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008
Mudanças na FNAC, 2
01 Outubro, 2008

Sobre a mudança de política de desconto da FNAC, atenção ao editorial do Blogtailors.

publicado por Ler às 16:10
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1 comentário:
De Luís Graça a 2 de Outubro de 2008 às 08:34
Cartões de livrarias não me faltam. Ao ponto de nem saber deles nas carteiras. Assim de repente, tenho um pequenino amarelo da Bertrand, tenho um durinho cinzento da Almedina. E na Book House já nem é preciso mostrar cartão. É só dar o nome e lá vai disto.

Cartão da FNAC não tenho. Não me apercebi bem do que era. Estive uma hora na bicha e quando lá cheguei, ao ponto de ser atendido, é que me apercebi das características. Isto foi há uns anos. Para mim não dava.

Agora já estou mesmo a "jogar para nulos" em termos de "cacau".

Realmente, com esta política, perderam um cliente. Não quer dizer que não compre lá muito esporadicamente.

Só e apenas. Por exemplo, no regresso de um jogo qualquer das modalidades no pavilhão da Luz (sou do Sporting e vejo montes de jogos das modalidades do Benfica. Sim, não sou fanático. E depois?).

Boa sorte, FNAC! Também não me conseguiram arranjar "A ronda da noite", da Agustina. Bati Lisboa inteira e tive de ir à Guimarães...

Na altura em que lá estava em demanda da Agustina assisti ao atendimento de um senhor brasileiro. Levou seca para que chegasse a sua vez de falar com a menina que estava ao computador. E depois ficou a saber que levava cerca de um mês até poder receber o livro que queria.

Ele agradeceu. Mas aquele olhar de desânimo disse tudo. Como que a pensar: "Como é possível? Um mês? Que tipo de grande superfície é esta?".

Sempre fui grande comprador de BD na FNAC. Secção onde a "nazificação" do Manga está a rebentar autenticamente com a BD Franco-Belga, que passou a um nicho. Quem quiser continuar a seguir uma colecção (como o 'Murena', por exemplo) tem de andar permanentemente em cima, para não perder o livro que chegou com poucos exemplares uns dias antes. Ou não apanhar um livro já folheado e que não está em condições.

Com a minha falta de dinheiro e de espaço em casa, estas situações foram-se resolvendo. Mas também fui 'despindo' cada vez mais a FNAC dentro da minha cabeça.

Na nova Guimarães, onde não tinha estado ainda, fui atendido por um senhor da minha idade, de gravata. Entrei a matar: "Bem, venho cá buscar um livro e se não houver parto já esta porcaria toda".

Ele não me conhecia de lado nenhum. Percebeu logo que eu estava no gozo e eu até sei representar bem nestas situações. Poderia ter sido mal interpretado. Quebrou-se logo ali o gelo. Comprei "A Ronda da Noite", ficámos a falar um bocadinho. Entretanto, eu estava com pressa de ir para uma sessão na Casa Fernando Pessoa e o telemóvel dele tocou.

Momento em que aproveitámos para nos despedir. Viu-se que era uma chamada importante, de trabalho. Mas eu percebi que ele iria continuar disponível para mim, depois da tal chamada, se eu não estivesse com pressa.

De modo que o cumprimentei e vim para a porta. Ele pediu dez segundos a quem tinha acabado de começar a falar com ele ao telemóvel e veio acompanhar-me à porta.

Isto é uma livraria. Isto é atendimento. Isto é elegância. Isto é educação.

Claro que agora vou ter de ler "A ronda da noite" em cinco dias, para a Comunidade de Leitores da Culturgest. E obriguei-me a ir até ao fim e fazer um texto.

Não se pode ter tudo. Há que sofrer um bocadinho.

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