Notícias, rumores, invenções e impropérios para blogler@sapo.pt.
Lido e publicado
1. Os 50 autores mais influentes do século XX.
2. Dez cidades para visitar com livros debaixo do braço.
3. Charles Darwin, 200 anos depois.
4. «O Magalhães é o maior assassino da leitura em Portugal.»
5. Última entrevista de António Barahona.
6. Inéditos de Fernando Pessoa.
7. John Milton por João Pereira Coutinho.
8. «O meu mal é ter uma curiosidade de puta.»
9. Entrevista Luis Sepúlveda.
10. «Já quase pareço um escritor.»
11. Entrevista Eduardo Lourenço.
12. Breve Introdução à Teoria Literária.
13. Agustina, a indomável.
14. Trinta livros do PNL.
15. Entrevista A. M. Pires Cabral.
16. Dinis Machado: «Só quis escrever um livro».
17. Retratos de um Nobel.
18. Os últimos e-mails de Stieg Larsson.
19. Os 200 anos de Edgar Allan Poe.
20. Knoxville, o território de McCarthy.
21. O bibliotecário ambulante.
22. Dez escritores europeus que (já) mereciam ser traduzidos em Portugal.
O nosso sofá
Crónicas

Abel Barros Baptista


José Eduardo Agualusa


Francisco Belard


Rogério Casanova


Filipe Nunes Vicente


Pedro Mexia


Onésimo Teotónio de Almeida


Inês Pedrosa


Eduardo Pitta


Jorge Reis-Sá


José Mário Silva

Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
Mensagem com 75 anos



Terça-feira, 1 de Dezembro,  17H30
Biblioteca Nacional de Portugal

Sessão comemorativa
•    Palavras de Abertura
Jorge Couto (Director-Geral, BNP)
Paula Morão (Directora- Geral, DGLB)
Catarina Vaz Pinto (Vereadora da Cultura, CML)
•    Comunicação
Eduardo Lourenço
•    Poemas da «Mensagem» na voz do actor Luís Lucas
•    I. Debate
Pessoa e o sonho do supra-Camões
Moderado por Carlos Vaz Marques com a presença de:
Eduardo Lourenço
Manuel Alegre
Vasco Graça Moura
•    Lançamento da edição da «Mensagem» fac-similada do original de Fernando Pessoa.  Apresentação:
Jorge Couto (Director da BNP)
Paulo Teixeira Pinto (Guimarães Editores)
David Ferreira (FNAC Portugal)


Quarta-feira, 2 de Dezembro, 18H30
FNAC Chiad
o
II. Debate
•    «- É a hora!» O sentido da «Mensagem»
Moderado por Carlos Vaz Marques com a presença de:
Paulo Borges
Manuel Gandra
Miguel Real


Quarta-feira, 9 de Dezembro, 18H30
Casa Fernando Pessoa

III. Debate
•    «Mensagem», o Poema, o Prémio e o Estado Novo
Moderado por Carlos Vaz Marques com a presença de:
José Blanco
Richard Zenith
José Carlos Seabra Pereira



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Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
National Book Award para Colum McCann

Pelo livro Let the Great World Spin, a publicar pela Civilização Editora em Setembro de 2010 com tradução de Helena Lopes. Desenvolvimento no New York Times.



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Maria Judite de Carvalho: 50 anos de vida editorial

A mostra bibliográfica continua na Biblioteca Nacional até 30 de Novembro.



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Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
Leya Brasil publica livro de memórias de Carlos Heitor Cony

Carlos Heitor Cony assinou um contrato com a Leya Brasil para a publicação do seu livro de memórias, Eu aos Pedaços. Lançamento previsto para 2010.



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Santiago Gamboa

«Para mí la belleza de la humanidad está en la literatura. En las historias, en el trabajo de pulido de la palabra. A mí eso me conmueve. El resto de la vida tiene muchas cosas bellas y difíciles, pero también duras y jodidas. Estos personajes brillan a través de las historias.»

Excerto de uma entrevista ao escritor colombiano Santiago Gamboa, a propósito de Necropólis.



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Nada de Dois, por Pedro Mexia

Lançamento marcado para amanhã, às 19h, no foyer do Teatro Aberto, em Lisboa, com apresentação de Nuno Artur Silva e leitura de excertos por Joana Seixas e Albano Jerónimo.


JOANA [doce]
Tu és uma pessoa extraordinária.

VASCO
Não se pode falar contigo.

JOANA
Tu reages às coisas boas como se fossem más.

VASCO
Isso é muito insensível da minha parte. Pensava que fosse uma pessoa extraordinária.

JOANA
Não sei o que é que tu queres ouvir.

VASCO
Isso é um bocado básico, não é, «o que é que tu queres ouvir»? Quero a minha campainha, o meu torrão de açúcar, a mão na crina e


[pausa]

não tenho mais metáforas animais, embora ajudasse ser um bocadinho mais animal.

JOANA
Estás a dizer que eu gosto de animais?

VASCO
São os genes, minha querida. Vai-te queixar ao Mendel.



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Histórias de Canções - Chico Buarque nas livrarias a 30 de Novembro

Inicialmente previsto para 2010, a Dom Quixote antecipou para 30 de Novembro a publicação do livro Histórias de Canções - Chico Buarque, de Wagner Homem, lançado pela Leya Brasil em Outubro.



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Ilustrações em Évora

Duas exposições sobre ilustração portuguesa, organizadas pela Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas, abrem hoje as portas em Évora.



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Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
Festa dos livros na Gulbenkian

Começa dia 26 de Novembro e só termina a 23 de Dezembro. O Natal também é isto.



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Martin Amis sobre o inédito de Nabokov

«Apart from a welcome flurry of interest in the work, the only thing this relic will effect, I fear, is the slight exacerbation of what is already a problem from hell. It is infernal, for me, because I bow to no one in my love for this great and greatly inspiring genius. And yet Nabokov, in his decline, imposes on even the keenest reader a horrible brew of piety, literal-mindedness, vulgarity and philistinism. Nothing much, in Laura, qualifies as a theme (ie, as a structural or at least a recurring motif). But we do notice the appearance of a certain Hubert H Hubert (a reeking Englishman who slobbers over a pre-teen's bed), we do notice the 24-year-old vamp with 12-year-old breasts ("pale squinty nipples and firm form"), and we do notice the fevered dream about a juvenile love ("her little bottom, so smooth, so moonlit"). In other words, Laura joins The Enchanter (1939), Lolita (1955), Ada (1970), Transparent Things (1972), and Look at the Harlequins! (1974) in unignorably concerning itself with the sexual despoiliation of very young girls.

Six fictions: six fictions, two or perhaps three of which are spectacular masterpieces. You will, I hope, admit that the hellish problem is at least Nabokovian in its complexity and ticklishness. For no human being in the history of the world has done more to vivify the cruelty, the violence, and the dismal squalor of this particular crime. The problem, which turns out to be an aesthetic problem, and not quite a moral one, has to do with the intimate malice of age.»

 

Texto completo no Guardian.



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Há 50 anos, Truman Capote chegava a Holcomb

E a literatura ganhava A Sangue Frio. História revisitada no Guardian.



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Em boa companhia

Eduardo Coelho notou que as editoras brasileiras Cosac & Naify e Companhia das Letras estão com novos sites.



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Os livros de Cortázar

Uma descoberta a partir daqui.



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Escrita de Mário Cláudio em Serralves

A partir do próximo dia 25 de Novembro, Mário Cláudio orienta mais uma edição do Atelier de Escrita em Serralves. Desta vez, a temática são «Homens e Bichos». Sempre às quartas-feiras, até 10 de Fevereiro, das 19h às 21h.



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Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009
Museu de Borges

O projecto avança e estará concluído em 2010: réplicas da sua casa e biblioteca, livros com anotações, objectos que o escritor comprou em viagens, etc.



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Entrevista a Gastão Cruz

Em Setembro, a editora  Língua Geral publicou no Brasil a antologia A moeda do tempo e outros poemas, de Gastão Cruz, com organização e posfácio de Jorge Fernandes da Silveira e prefácio de Luis Maffei. O poeta português foi entrevistado para o Portal Saraiva Conteúdo.



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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
Nowa proza portugalska po Rewolucji Goździków

Ou como escrever nova literatura portuguesa em polaco.



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«É a minha obra tecnicamente mais complexa»

Arturo Pérez-Reverte sobre Asedio (Alfaguara), romance com mais de 700 páginas, nas livrarias espanholas a partir de 3 de Março.



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Há saco para a LER?

 

Parece que sim. A partir de 14 de Novembro, há saco com páginas da LER em cinco livrarias Bertrand: Chiado, Amoreiras, CCB (todas em Lisboa), Dolce Vita Coimbra e Porto Grand Plaza. Por 28,5€.



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Bibliotecas para a vida

Mais informações aqui.



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Blackpot

 

— OK — disse Gulliver. E desligou.
Levantou-se e dirigiu-se à casa de banho. Olhou para o espelho. Pegou no frasco de álcool, desarrolhou-o e molhou as mãos. Passou depois as mãos pelos cabelos. Voltou a olhar para o espelho e inspeccionou os dentes. Começou a sentir as náuseas do costume. Levantou a tampa da sanita, vomitou alguma bílis e sentiu-se melhor. Voltou para o quarto e falou para o retrato do pai morto, durante dez minutos, como fazia há trinta anos. Acendeu um cigarro e sentou-se na borda da cama. Ligou para Armador.
— Armador?
— Sim.
— Daqui Gulliver.
— Sim.
— Legos disse para o matarmos hoje.
— Vem a minha casa — disse Armador. — Jogamos uma partida de xadrez e depois vamos.
— Estou aí dentro de uma hora.
Gulliver desligou e voltou à casa de banho. Atirou a beata ainda acesa para a sanita e puxou o autoclismo. Voltou a inspeccionar os dentes ao espelho. Lavou-os vagarosamente. Olhou para as mãos. Lavou-as. Voltou ao quarto e olhou para o retrato do pai. Começou outra vez a sentir náuseas e dirigiu-se rapidamente à casa de banho. Vomitou. Sentiu-se melhor.

 

Primeiro e curtíssimo capítulo de Blackpot, inédito de Dennis McShade (pseudónimo de Dinis Machado) que a Assírio & Alvim lançou para as livrarias no dia 5 de Novembro.



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Poemas de guerra online

Há mais uma entrada no The First World War Poetry Digital Archive da Universidade de Oxford: Siegfried Loraine Sassoon (1886–1967). Manuscritos, fotos e cartas.



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Os melhores livros infantis ilustrados de 2009

Uma escolha que se repete desde 1952.



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Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
«Ler entre Linhas»

Título de um projecto da Carris para 750 autocarros e 55 eléctricos. Começa dia 19.



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Dois inéditos de Gonçalo M. Tavares

Num jogo literário e artístico na Biblioteca Municipal de Palmela. Desenvolvimento aqui.



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O museu de Pamuk

O Prémio Nobel Orhan Pamuk é o convidado de honra das Conferências de Poesia Charles E. Norton, organizadas pela Universidade de Harvard. A propósito do seu novo romance, o escritor turco avança com uma «ideia metaliterária». Entrevista exclusiva aqui.



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Liga das Editoras no Twitter

O campeonato português segue com nova classificação.



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Confissões de Esther Tusquets

Entrevista da editora e escritora catalã ao El País.



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4&1 Quarto, Rita Ferro (booktrailer)

 

 



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Prémio PT de Literatura 2009 para Nuno Ramos

O escritor e artista plástico brasileiro venceu a sétima edição do Prémio Portugal Telecom de Literatura com o livro Ó (Iluminuras). «É uma obra inclassificável», pode ler-se no Globo. «Não é um livro de ensaios, de contos, crônicas ou aforismos. Seu autor, o paulista Nuno Ramos, também é difícil de rotular. Tem uma carreira consagrada como artista plástico, já publicou quatro livros e dirigiu três curtas-metragens.»



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Ahab Edições

O site da nova editora do Porto estará a cem por cento brevemente, mas já se pode guardar o endereço nos «favoritos».



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Terça-feira, 10 de Novembro de 2009
O Seminarista, Rubem Fonseca

 Cinco primeiras páginas do novo romance disponíveis aqui. Artigo de fundo na Bravo!.



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Revisitar ou descobrir Guerra Junqueiro

Passa por aqui e, claro, por aqui.



© publicado pela Ler às 16:03
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Segunda-feira, 9 de Novembro de 2009
Saída de Emergência com novo blogue

Como se pode ler aqui.



© publicado pela Ler às 16:24
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Prémio PT de Literatura 2009 conhecido amanhã

Gonçalo M. Tavares, José Luís Peixoto, Inês Pedrosa e António Lobo Antunes estão entre os nomeados.



© publicado pela Ler às 15:45
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The Original of Laura lançado dia 17

O romance inédito e inacabado de Vladimir Nabokov, afinal, chega às livrarias no próximo dia 17, em edição de 76 páginas e com o subtítulo «Um romance em fragmentos».



© publicado pela Ler às 15:19
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Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
George Steiner em Viseu

O professor da Universidade de Cambridge é o convidado de honra da 5ª Conferência Internacional de Filosofia e Epistemologia, onde se debate «a temática da condição humana a partir das obras do neurocientista António Damásio, do filósofo Espinosa, do pensador multifacetado George Steiner e de um dos mais importantes escritores portugueses do século XX, Miguel Torga.» De 23 a 25 de Novembro, no Instituto Piaget, em Viseu.



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Viagens do Professor Levi

 

But along the margins of the highway, it was still possible to find members of the indigenous Nambikwara people, often sitting sullen, drunk or bewildered. Of the four tribal groups that Mr. Lévi-Strauss spent time with — the Bororo, Caduveo and Kawahib were the others — he seemed particularly moved by the plight of the Nambikwara, whose family and social life became the subject of his doctoral thesis after he returned to Europe in 1939.

In writing of the Nambikwara, Mr. Lévi-Strauss foresaw the drama and tragedy of a people whose culture and way of life even then were clearly doomed. So he was meticulous in documenting as many aspects of their lives as he could, from relations between the sexes and construction of shelter to diet, pets and pearl gathering. Brazilian anthropologists say that even today Nambikwara oral history recalls the visit of «Professor Levi».

Mr. Lévi-Strauss may have been even more perceptive in his observations of the caboclos, the assimilated Portuguese-speaking mestiços who were the region’s dominant group. His descriptions of their behavior and manner of dress were astonishingly accurate, and in my own travels I would often hear some impossibly colorful locution that I had first encountered in «Tristes Tropiques» and attributed to what I thought must be his imperfect command of Portuguese.


Excerto de um artigo assinado por Larry Rohter no New York Times.



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Quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
Prémio Jabuti de melhor ficção do ano para Moacyr Scliar

Depois do Jabuti de melhor romance, o escrito gaúcho recebeu ontem novo prémio por Manual da Paixão Solitária (Companhia das Letras). Melhor obra de não-ficção do ano: Monteiro Lobato: Livro a Livro, de Marisa Lajolo e João Luís Ceccantini (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e Unesp).



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Entrevista a Marie NDiaye (Goncourt 2009)

O mais importante prémio literário francês foi atribuído esta semana à escritora de origem senegalesa Marie NDiaye por Trois femmes puissantes (Gallimard), primeira mulher a receber o Goncourt depois de 1998. Cobertura completa aqui. O livro será editado em Portugal pela Teorema.



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Médicis 2009 para Dany Laferrière

O escritor canadiano venceu a categoria principal (romance) com  L´énigme du retour. Dave Eggers arrecadou o prémio de romance estrangeiro através de Le Grand Quoi (O Que É o Quê - A História de Valentino Achak Deng, editado há pouco tempo em Portugal pela Casa das Letras). No capítulo do ensaio, foi Alain Ferry por Mémoire d´un fou d´Emma.



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LER hoje nas bancas!

 

 

Richard Zimler

«Só os maus livros têm nacionalidade»
No seu novo romance, Os Anagramas de Varsóvia, o escritor que nasceu em Nova Iorque mas vive em Portugal há mais de duas décadas, volta ao tema do Holocausto, tendo como pano de fundo a sua própria identidade.

Jorge de Sena

Voltar à terra
Com parte substancial do seu espólio já entregue à Biblioteca Nacional – e depois de em Setembro os seus restos mortais terem sido trasladados para o Cemitério do Prazeres, em Lisboa –, outra luz pode incidir sobre a obra do autor de Sinais de Fogo. Polémicas, entrevista com Mécia de Sena, testemunho de José Augusto França – e muito mais.

Vinicius de Moraes

Escrita inédita
«Estou longe da poesia, seco, estudando Anglo-Saxão e metido em grandes roupagens», escreveu Vinicius de Moraes na carta a Rodrigo Melo Franco de Andrade, a 9 de Outubro de 1938. Trinta anos depois, já consagrado mundialmente pela Bossa Nova, embarcou rumo a Lisboa, onde fez shows com Baden Powell. Inéditos agora revelados em Portugal.

João Ubaldo Ribeiro

Tertuliano c'est moi
«Com a idade a chegar, morrem amigos, aparecem achaques, e limitações dantes nunca vividas. E tende-se a pensar na morte, e é bem possível que isso tenha acontecido com este livro. Assim como o Flaubert era Ema Bovary, talvez eu seja o velho Tertuliano.» Entrevista a pretexto de O Albatroz Azul.

Paris Review

Dez clássicos
As entrevistas a Saul Bellow, Lawrence Durrell, Ernest Hemingway, Graham Greene, Jorge Luis Borges, Boris Pasternak, Truman Capote, William Faulkner e E. M. Forster fazem parte de um volume editado agora pela Tinta-da-China. Aviso: o texto de Rogério Casanova não é aconselhável a fãs de Jack Kerouac.

 

E ainda:

Sofá da LER. Paulo Moreiras acaba de publicar Os Dias de Saturno mas pensa já no próximo projecto: «Seria interessante perceber a história do leitão em Portugal».

A Voz do Brasil. Uma nova coluna com notícias de livros e autores brasileiros. Eduardo Coelho começa bem: quem são os mais significativos poetas na nova geração?

Casa da Achada. Passámos um dia na casa onde está disponível, desde Setembro, o espólio literário e artístico, o arquivo pessoal e a biblioteca privada de Mário Dionísio. E prometemos voltar.

John dos Passos. Depois de décadas de esquecimento, a trilogia USA regressa às livrarias portuguesas com nova edição da Presença.

Gulag. A partir das memórias de vários autores, Rui Bebiano escreve um ensaio sobre a luta pela dignidade humana nos campos do Gulag.

Provedor. Nuno Costa Santos está em condições de avançar uma notícia de última hora: a biblioteca de Pacheco Pereira, na Marmeleira, está sob escuta.

 

Também pode comprar o seu exemplar aqui ou fazer uma assinatura anual.



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Terça-feira, 3 de Novembro de 2009
Francisco Ayala (1906-2009)

«Soy un cómico que lleva años esperando a que se baje el telón, pero no termina de bajarse.» Homenagem completa no El País.



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Claude Lévi-Strauss (1908-2009)

«Estamos num mundo a que já não pertenço. Aquele que conheci, aquele de que gostei, tinha 1500 milhões de habitantes. O mundo actual tem seis mil milhões de humanos. Já não é o meu.» Obituário no New York Times e Le Monde. Entrevista com Bernard Pivot em 1984.



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LER no Chiado

«Livros Fenómeno: porque não consigo largar Bolaño, Larsson, Dan Brown, Meyer?» Debate entre José Afonso Furtado, Paulo Ferreira e José Campos de Carvalho. Dia 5 de Novembro, às 18h30, na Bertrand do Chiado. Moderação de Anabela Mota Ribeiro.



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Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
Capa de Novembro

Quem é a figura de capa da edição que estará nas bancas a partir de 5 de Novembro (actual.)? Como sempre, oferecemos dois livros e uma pen de 2 GB do Sapo ao primeiro participante devidamente identificado.



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Segunda-feira, 26 de Outubro de 2009
Passatempo Presença/LER (actual.)

O novo romance de Nicholas Sparks, A Melodia do Adeus, chega às livrarias portuguesas no dia 3 de Novembro. A Presença oferece três exemplares (um deles autografado pelo autor) aos primeiros três leitores (devidamente identificados) que respondam correctamente à pergunta: Que livro escreveu Sparks entre Junho de 1994 e Janeiro de 1995? Apostas para marta.serra@circuloleitores.pt. Resposta: O Diário da Nossa Paixão.

 

Vencedores: Carlos Miguel, Sara Duarte e Ana Sofia Santana.



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Domingo, 25 de Outubro de 2009
Enciclopédia de Estória Universal.

O novo booktrailer da Quetzal. 

Afonso Cruz, Enciclopédia de Estória Universal.



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Argentina.

Federico Andahazi (autor de O Anatomista e As Piedosas, edição Presença) contesta a decisão do seu governo: a de eleger Diego Armando Maradona como o máximo representante cultural do país na Feira de Frankfurt em 2010, dedicada à Argentina.



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Com selo.

Leia os textos que acompanham os dois volumes da edição de filmes de Werner Herzog, na FilmotecaFNAC, em adaptação de edição originária da Avalon. Com o selo do MC e da IGAC e depois pergunte-se o que faz lá um selo do MC.



© publicado pela Ler às 09:05
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Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009
Isabel Alçada a caminho do Ministério da Educação

Segundo o jornal i, a actual directora do Plano Nacional de Leitura é a escolha de José Sócrates para ocupar a pasta da Educação. «A sua substituição à frente do Plano Nacional de Leitura também está a começar a ser desenhada: um nome provável será o do poeta e escritor Fernando Pinto do Amaral.»



© publicado pela Ler às 15:49
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Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009
Dave Eggers

Dave Eggers sobre o guião que escreveu para o filme Where the Wild Things Are / O Sítio das Coisas Selvagens: «I just wrote a short essay for a friend’s anthology.»
Em Portugal, o livro será publicado em Novembro, pela Quetzal. 

E o trailer do filme:

 



© publicado pela Ler às 22:06
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Biografias

São 700 páginas: tudo ou quase tudo sobre Charles Dickens, na nova biografia escrita por Michael Slater (Charles Dickens, Yale University Press. £25.)

 

 

E por falar em biografias, atenção à de Somerset Maugham, de Selina Hastings: The Secret Lives of Somerset Maugham (John Murray, £25.) «This steady-eyed biography of an extraordinary, extravagant, generous and bitter artist will not only fascinate its readers but encourage some to go to his work for the first time.»



© publicado pela Ler às 21:58
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Argentina!

A Argentina prepara-se para a próxima Feira de Frankfurt. Como diz Patricia Kolesnicov: «Porque Frankfurt puede ser una oportunidad para acercar algo de la cultura argentina a algunos en el mundo. O puede no ser nada más que una visita cara a Europa



© publicado pela Ler às 21:49
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Polémica no Planeta

Ainda Ángeles Caso não começou a saborear o Prémio Planeta  e já há polémica em Espanha.



© publicado pela Ler às 21:44
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García Márquez espiado

O diário El Universal, do México, revela que os serviços secretos mexicanos seguiram García Márquez durante anos:

«Un informe policial acusa al Premio Nobel de ser "un agente de propaganda al servicio de la dirección de inteligencia de Cuba".» | «La DFS buscaba durante la llamada "guerra sucia" (1960-1980) elementos subversivos afines a ideologías de izquierda.» | «Los documentos constatan su papel como mediador entre la izquierda latinoamericana y el presidente Miterrand.»



© publicado pela Ler às 21:39
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Sobre Saramago

Tolentino Mendonça, poeta: «A perplexidade trazida pelas afirmações de José Saramago é, no fundo, como é que um grande criador, um grande cultor da língua, pode, em relação a um superclássico da literatura mundial – património de cultura diferentes, fonte de inspiração para tanta literatura – pode dizer da Bíblia, com o simplismo e o olhar com que o fez, as coisas que Saramago tem dito.»

Igreja Católica: «Críticas de Saramago mostram que não compreende a Bíblia.»

Rabino de Lisboa, Eliezer di Martino: «José Saramago não conhece a Bíblia nem a sua exegese, fazendo leituras superficiais das narrativas da Bíblia. O mundo judaico não se vai escandalizar pelo que escreve o senhor Saramago ou qualquer outro.»

D. Manuel Clemente, da Comissão Episcopal: «Dizer que a Bíblia é um texto cheio de crueldades é uma coisa que e pode dizer de Shakespeare, de Dante, dos Lusíadas, porquê? Porque a literatura reflecte a história, reflecte a condição humana, é uma espécie de palco onde a história humana é encenada, e responsabilizar a Bíblia pelos crimes da humanidade, pela violência ou pelas guerras, é de todo inaceitável não só do ponto de vista da religião, mas do ponto de vista da cultura, porque uma coisa é literatura, que reflecte a vida, outra coisa são as leituras posteriores, algumas muito erradas, que se podem fazer dos textos.»



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Saramago e Caim: «Na Igreja Católica não vai causar problemas porque os católicos não lêem a Bíblia»

«O Corão, que foi escrito só em 30 anos, é a mesma coisa. Imaginar que o Corão e a Bíblia são de inspiração divina? Francamente! Como? Que canal de comunicação tinham Maomé ou os redactores da Bíblia com Deus, que lhes dizia ao ouvido o que deviam escrever? É absurdo. Nós somos manipulados e enganados desde que nascemos!»

José Saramago, ontem, no lançamento de Caim.



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Sábado, 17 de Outubro de 2009
João Tordo: «Não tenho paciência para os puros contadores de histórias»

Novo romance, pelos vistos. É diferente dos anteriores? Explica lá porquê.

Porque é maior, mais estruturado, mais denso, com mais personagens e uma história que atravessa um quarto de século e que faz viagens constantes a outros momentos marcantes do século XX, a guerra civil espanhola, a Segunda Guerra Mundial… E, também, porque conta a saga da família Millhouse Pascal, vista através dos olhos do protagonista, na qual temos um pouco de tudo: um velho misterioso com poderes mágicos, três netos rebeldes, um jardineiro assas­si­no, funâmbulos na corda bamba… e um final secreto em que o destino de uma das personagens principais se intersecta com uma das grandes catás­trofes do nosso século. E também porque deu imenso trabalho. Contente?

Nem por isso. Uma vez mais, a história é contada na primeira pessoa. Alguma coisa de «pessoal» nisso ou vais aldrabar e continuar a dizer que não?

Claro que é pessoal. Todos os escritores mentem quando dizem que não existe nada de seu nos seus romances: no meu caso, acho que as personagens reflectem, cada uma à sua maneira, os meus pontos de vista e sentimentos em relação ao mundo. Começo sempre na primeira pessoa porque gosto de um ponto de vista limitado, que não seja omnisciente, que me aproxime do leitor, isto é: só sabemos uma parte da história, não sabemos o todo. Somos limitados, finitos, queremos tudo mas, infelizmente, não dá. Depois o romance utiliza outros pontos de vista e narradores, mas o fundamental é que, uma vez que as histórias acontecem no mundo a partir do momento em que as imaginamos, gosto de olhar para elas a partir dos olhos dos meus narradores.

Já que falas nisso, continuas a achar que escrever e viver são coisas incompatíveis? Continuas a achar que é uma angustiante dicotomia?

Agora já acho que são as duas coisas idênticas. Julgo que a vida quotidiana é apócrifa deste ponto de vista: o mundo exterior é menos real, em muitos sentidos, do que o mundo da literatura. Menos real porque menos interessante, pelo menos para quem escreve ou, se estou a exagerar, pelo menos para mim. Mas escrever pode ser equivalente a viver no sentido em que é na escrita que me descubro enquanto pessoa: a vida quotidiana é o que é, raramente feliz, muitas vezes deprimente; a vida de um livro tem a obrigação de ser interessante, fascinante, aventurosa, desafiar todos os instintos de quem está lançado a uma história. Por vezes, viver todos os dias pode ser muito parecido com uma forma lenta de morte; na escrita tudo está mais vivo, mais iluminado.

Ora pensa lá bem: o que é que costumas fazer enquanto escreves, sem te dares conta disso?

Que pergunta tão estúpida. Então olha: às vezes ouço os Beatles, sobretudo o Abbey Road ou o White Album; coloco o CD no computador sem sequer pensar no assunto. Mas grande parte das vezes não ouço nada, gosto do silêncio e do barulho dos dedos nas teclas. Não sou capaz de escrever à mão – não só tenho uma caligrafia ilegível como me cansa imenso o pulso, ao final de um bocado. Teclo tipo «secretária», isto é, muito depressa e sem olhar para o ecrã. Quando estou a escrever um romance é também das poucas alturas do ano em que bebo café e fumo cigarros logo de manhã. Tenho a televisão ligada sem som. A sensação de um romance por acabar angustia-me e, ao mesmo tempo, motiva-me. É esquisito. Também tremo as pernas e bato com os pés no chão, repetidamente, que é uma espécie de banda sonora dos meus livros.

Já que falamos em desordens obsessivas, continuas a ter as mesmas obsessões, paranóias e minudências?

Tenho uma razoável obsessão com a medição das obras. Isto é, enquanto estou a escrever gosto de manter uma média diária de número de palavras (para As Três Vidas, por exemplo, escrevi duas mil por dia). Não sei de onde é que isto vem. Claro que não «contabilizo» a coisa, mas tento manter um registo idêntico todos os dias porque o tempo é escasso – tenho de «tirar férias» do mundo real para escrever – e é preciso chegar ao final. É uma corrida a contra-relógio, na verdade. Outras paranóias: deixar um parágrafo em aberto para o dia seguinte; procurar não ler autores de que gosto muito durante essas alturas, ou tendo a começar a imitá-los; deitar-me cedo; tentar não beber. Essas coisas. Ser como um desportista na aldeia olímpica, só que sem as medalhas, a consagração e o hino nacional.

Quais são as tuas mais recentes embirrações?

Cada vez menos aprecio os escritores em «série», do género Dan Brown e derivados. Dá-me a sensação de que estão sempre a escrever o mesmo livro, numa linha contínua que não tem altos nem baixos. Embora eu pertença a uma linha muito anglo-saxónica do romance, confesso que não tenho muita paciência para os puros contadores de histórias, funcionais e mecânicos. Tem de haver alguma coisa de muito íntima, um ponto de vista, uma dor ou uma perda, no momento de escrever um romance. É para isso que serve toda a construção narrativa, tem de existir uma metáfora, nunca forçada, ou então é mera ginástica textual. Para isso existem os dicionários e as enciclopédias. Gosto de autores que se entregaram, que renderam a sua vida à obra, cuja existência passa por ali, passa pelo texto, ao ponto de quase se confundirem com aquilo que escrevem, até para eles próprios. O grande exemplo contemporâneo disto é o Javier Cercas, cuja fronteira obra/vida é quase indiscernível.

 

Há precisamente um ano, quando lançava As Três Vidas, João Tordo passou pelo sofá da LER e aceitou o desafio de se entrevistar: JoãoTordo por João Tordo.



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«Tordo continua a colocar a sua evolução técnica à vista»

Sobre As Três Vidas (Quidnovi), terceiro romance de João Tordo, a crítica Ana Cristina Leonardo escreveu, no Expresso: «[É] um acto de coragem criativa que o autor soube arriscar à maneira de um funâmbulo no fio da navalha.» Depois do kafkiano e dispersivo O Livro dos Homens sem Luz, e de Hotel Memória (2007), na linha da ficção detectivesca metafísica à la Paul Auster, Tordo continua, com coragem, a colocar a sua evolução técnica à vista. Sendo o mais anglo-saxónico dos novos autores portugueses, ca­racteriza-o a originalidade dos diálogos, a ges­tão veloz da narrativa, as mudanças de planos temporal (aqui, ao longo de um quarto do sé­culo XX) e espacial e a gradação do suspense. Desta vez, partiu do Alentejo e de Lisboa para regressar a Nova Iorque (onde, aliás, estudou Escrita Criativa), continuando a investir na pesquisa da identidade dos personagens como motor da acção, mas abandonando uma linha mais metafórica ou fantástica. Tal como os romances de valter hugo mãe, os de João Tordo estão a ser negociados em vários países, tendo a importante Actes Sud comprado os direitos de Hotel Memória para França.

 

Excerto de um texto de Filipa Melo, publicado em Dezembro na revista LER, que justificava a escolha de João Tordo como uma das dez figuras de 2008.



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Primeiras páginas de As Três Vidas

Ainda hoje, sempre que o mundo se apresenta como um espectáculo enfadonho e miserável, sou incapaz de resistir à tentação de relembrar o tempo em que, por força da necessidade, fui obrigado a aprender a difícil arte do funambulismo. Esses anos, que considero terem sido excepcionais — e, ocasionalmente, marcados por acontecimentos funestos —, deixaram-me num estado de melancolia crónica no qual, embora dele tenha procurado escapar, acabo inevitavelmente por voltar a cair. Esta melancolia, por vezes, resvala para o desespero, mas não vamos por aí; não é altura para, ao contrastar a minha existência actual com aquilo que em tempos foi, me deixar consumir pelo passado. Bastará dizer que não recordo um tempo em que a vida tenha sido particularmente feliz, mas que sou incapaz de esquecer cada hora que passei na companhia de António Augusto Millhouse Pascal.
Há dois anos, uma notícia num jornal dava conta de um leilão onde, entre outros objectos, iriam ser licitados os documentos encontrados na casa do falecido jardineiro deste homem para quem trabalhei há mais de duas décadas. Quando soube, fiquei imediatamente apreensivo e, ao imaginar as consequências, quase furioso — é inevitável que a pessoa que arrecadou o lote acabe por remexer nos arquivos que eu compilei e mantive durante aquele ano na Quinta do Tempo e, se os observar com alguma atenção, acabe por chegar a conclusões que nada têm a ver com aquilo que verdadeiramente aconteceu. Surpreende-me, aliás, que isso ainda não tenha sucedido; que a reputação do meu antigo patrão ainda não tenha sido manchada, o seu nome usado erradamente, em detrimento da verdade.
A ignorância a respeito deste homem impera. Não se pode dizer que essa ocorrência seja estranha, uma vez que, a partir de uma certa altura da sua vida, se relacionou apenas com figuras influentes de uma esfera privada. Os que o conheceram superficialmente e se recordam do seu nome terão dele uma imagem deturpada — por ter escondido a verdadeira natureza da sua obra, poderá um dia ser vítima do escárnio daqueles que preferem amaldiçoar a manifestar incompreensão. Millhouse Pascal, filho de mãe inglesa e pai francês, nascido em Portugal mas errante durante grande parte da sua vida — em Espanha durante a Guerra Civil, na Inglaterra nos tempos de Churchill, vivendo nos Estados Unidos após a queda do nazismo —, parece ter estado em toda a parte e em lado nenhum, uma sombra à margem dos acontecimentos e, contudo, posso assegurar-lhes, uma parte determinante destes. Se, nos próximos tempos, surgirem versões rocambolescas acerca das suas actividades, é porque estas ficaram no segredo dos que com ele privaram e que com ele conheceram a dedicação de um asceta; os restantes irão apelidá-lo de místico, excêntrico e, quem sabe, burlão.
Também eu nada sabia sobre ele. A minha juventude, porém, permitiu-me experimentar coisas em que hoje me recusaria a acreditar, se me fossem apenas contadas. Custou-me o resto da minha patética existência, é certo, mas tive a oportunidade de viver em sua casa e de observar com os meus próprios olhos os seus métodos e a maneira prodigiosa como conseguiu transfigurar a realidade e influenciar — quase poderia dizer manipular — os que, ao longo daquele tempo, recorreram aos seus serviços. Pouco tempo depois do leilão, uma jornalista do Diário de Notícias que fazia uma reportagem sobre os casos em aberto da Polícia Judiciária interessou-se pela história oculta deste homem e, através de fontes que não quis desvelar, veio ter comigo, abordando-me à maneira petulante e lisonjeira dos repórteres — defeito da profissão pelo qual não a posso julgar. Agora que o homem está morto, disse-lhe, não vejo qualquer problema em contar-lhe tudo, e assim o fiz. Falámos durante três horas, e dei por mim a desbobinar a história dos últimos anos da sua vida que estava, compreendi então, indissociavelmente ligada à minha, à sua família, a Camila, a Gustavo, a Nina, a Artur, e à viagem que, em 1982, acabou por selar aquilo de que eu vinha suspeitando há tanto tempo, isto é, a nossa inaptidão para continuar a viver a vida de todos os dias depois de certas coisas acontecerem. Não me parece que a jornalista — que era uma rapariga nova, com a curiosidade dos aprendizes — tenha acreditado na maior parte das coisas que lhe contei. Perguntou-me constantemente se podia apresentar provas mas, como irão descobrir, não foi possível conservar quaisquer documentos desses dias — para além daqueles que se encontram em lugar e mãos desconhecidos — e respondi-lhe que, a ser publicada a história, teria de o fazer de boa fé. Passaram-se dois anos, comprei o jornal todos os dias, e nem uma linha apareceu sobre o assunto.
Fui compreendendo, no tempo que passou desde a entrevista, que deixar um relato da minha experiência era uma necessidade. O que foi verdade e o que é, inevitavelmente, ficcionado, devido aos limites da memória, não importa — em última análise, a própria realidade é objecto de ficção. O mais importante é libertar-me dos fantasmas, pois acarreto com as sombras de todas as coisas a que não tive coragem para colocar um fim. Isso reflecte-se, sobretudo, nos meus sonhos: ao contrário da crença habitual, não me parece que os sonhos sejam o espelho dos nossos desejos; cá para mim, acho que os sonhos são o espelho dos nossos horrores, dos nossos piores medos, da vida que poderíamos ter tido se, numa altura ou noutra, não fôssemos incomensuravelmente cobardes.

 

Mais informações sobre o livro no blogue de João Tordo.



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Prémio José Saramago ganha dimensão ibérica (actual.)

Confirma-se: o Prémio Literário José Saramago passa a ter «carácter ibérico» e anual a partir de 2010.



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Prémio Literário José Saramago atribuído a João Tordo

O júri presidido por Guilhermina Gomes e Nélida Piñon escolheu o autor de As Três Vidas (Quidnovi), na edição mais concorrida de sempre do prémio (37 originais). O anúncio foi feito agora no Museu Municipal de Penafiel. O Prémio Literário José Saramago tem o valor pecuniário de 25 mil euros e é atribuído pelo Círculo de Leitores, de dois em dois anos, a um autor com menos de 35 anos e obra de ficção editada em língua portuguesa.



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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2009
Prémios PEN Clube 2008

Manuel Gusmão (poesia), Frederico Lourenço e Isabel Cristina Pires Mateus (ensaio) e Maria Velho da Costa (ficção). Notícia aqui.



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«Google Books foi um aviso para o mundo editorial europeu»

«Nuestros escritores y editores tienen los contenidos y los derechos sobre esos contenidos. Pero también deben intentar que ese contenido llegue a la gente. Google Books es un llamamiento a que los editores europeos ofrezcan libros digitales a los lectores.»

Viviane Reding, comissária europeia para a Sociedade de Informação, em entrevista ao El País.



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Prémio Planeta para Ángeles Caso

A história de uma jovem cabo-verdiana que decide emigrar para a Europa (o seu primeiro destino é Portugal), narrada em Contra el viento, valeu a Ángeles Caso (n. 1959) o Prémio Planeta 2009.



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Quinta-feira, 15 de Outubro de 2009
Celebrar Agustina

Agustina Bessa-Luís completa hoje 87 anos. Dedicámos-lhe a capa em Janeiro e um especial de 18 páginas (PDF disponível na coluna à esquerda, «Agustina, a indomável»).



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Celebrar Agustina, II

 

A indomável

Por Eduardo Lourenço

Em 1953, uma autora já conhecida de leitores atentos, publica um livro que inaugura uma data na ficção portuguesa contemporânea. O título famoso, como sabemos, é A Sibila, título profético no qual Agustina Bessa-Luís profetiza o seu próprio destino e a sua vocação de vidente e visionária. Esse título representou na época, para quem estava atento, o fim de uma hegemonia que, desde há 15 anos dominava, com razões para isso, o panorama da ficção portuguesa, aquilo a que se chamou neo-realismo. A Sibila não é um romance que se coloque em qualquer oposição, ou ideário, à prática ficcional desse neo-realismo.
É um livro que começa num outro lugar. O lugar que não existia antes dele, pela originalidade da história, pela temporalidade ficcional que é a da memória, ela própria tão inventada como realisticamente evocada, em suma, um tipo de ficção que noutras paragens já tinha obras em que Agustina se podia inspirar, mas que ela renovou e preencheu de um tipo de vivências não só da sua memória subjectiva como do inconsciente duma cultura do Portugal mais arcaico, ou melhor, do imemorial.
Essa obra foi seguida de uma produção torrencial sem precedentes na nossa literatura mesmo se nela integramos Camilo – um dos referentes da cultura desse imemorial que ela levará até à sua incandescência.
Mais tarde, a cultura portuguesa aperceber-se-á que além da originalidade literária de A Sibila enquanto ficção e escrita, uma escrita por vezes aleatória e fantasmagórica, essa obra instaurava sem que ainda se soubesse muito bem uma espécie de longo reinado da literatura feminina em Portugal. No caso dela, mais feminina do que feminista – que Agustina não é nem nessa perspectiva uma ideóloga mas um exemplo da sua ficção povoada de personagens femininas entre as quais a do seu primeiro livro, Mundo Fechado, que impôs um mundo da mulher até então subalternizado com uma evidência que as suas sucessoras receberam já como uma herança natural. Até porque Agustina tinha demasiado humor para ser feminista – sobre as outras mulheres. E, por incrível que possa parecer e muitas vezes não é entendida, sobre ela própria.
Pouco a pouco, Agustina impôs-se como uma paisagem literária sem igual na nossa literatura com livros como A Muralha, Os Incuráveis, O Manto, e mais tarde outros que adquiriram uma segunda vida através do cinema de Manoel de Oliveira como Fanny Owen ou Vale Abraão impuseram-se e entraram não só no imaginário nacional mas universal.
Infelizmente, a escrita constantemente paradoxal e surpreendente de Agustina ainda não encontrou, pela sua dificuldade, o eco que merece. Mas pode esperar. Num livro que particularmente me deslumbrou – Um Cão Que Sonha – Agustina revisita a sua juventude e dá-nos um pouco a misteriosa e insólita perspectiva da sua ficção, como destinada a ser devorada por um outro que será o autor da sua obra em vez dela. Como se ela, que, como é sabido, tão pouco aprecia Fernando Pessoa, inventasse um mito da sua criação proliferante para se converter numa ficção sem autor. E isto pode ser uma fábula que resume o que trouxe realmente de novo Agustina para a ficção da sua época. Menos uma voz que narcisicamente inventa um mundo para se afirmar através dele do que para ser, por assim dizer, a voz anónima das múltiplas memórias do seu universo povoado de figuras cada uma resumindo a extravagância da vida como se fossem seres da natureza indomáveis e imortais. Como ela.

Lisboa, 29 de Novembro de 2008



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Celebrar Agustina, III

De toda a sua vida, qual é o instante, o fragmento, o pontinho de luz que mais vezes lhe ocorre para dizer que viver vale a pena?


Ter a capacidade de amar alguém ou algo na vida. Ser capaz de pôr nisso todas as forças, toda a capacidade que, no fim de contas, é a capacidade para viver.

[LER, Outono de 2003]



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«Os meus livros não vão morrer»

António Lobo Antunes em entrevista à Visão.



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Prémio Fernando Namora atribuído a Mário de Carvalho

Mário de Carvalho é o vencedor do Prémio Literário Fernando Namora, criado pela Estoril Sol em 1988, com o romance A Sala Magenta, o que acontece pela segunda vez: em 1996 foi distinguido por Um Deus Passeando Pela Brisa da Tarde.

Fotografia de Pedro Loureiro

 

À prosa de Mário de Carvalho, nos diversos registos narrativos que tem percorrido, nunca foi estranha a intenção paródica e irónica. Fantasia para Dois Coronéis e Uma Piscina, romance anterior, de 2003, levava essa marca do autor ao seu ponto mais alto, na irrisão impiedosa do Portugal contemporâneo. Cinco anos depois, com A Sala Magenta, à ironia de Mário de Carvalho acrescenta-se um traço melancólico. O romance é um estudo de carácter, tendo como protagonista um cineasta medíocre a afundar-se na consciência da sua própria mediocridade. Gustavo Miguel Dias, vítima de um assalto violento, vê-se repentinamente reduzido a uma imobilidade forçada. A irmã recolhe-o na casa de campo onde vive. O isolamento de Gustavo desencadeia um processo de auto-análise ao «descomunal saco de débitos que não tinha outro remédio senão ir arrastando pela vida fora». A sala magenta, do título, é a evocação do espaço onde durante anos o cineasta teceu uma relação submissa e humilhante com Maria Alfreda, a amante que lhe diz, sem «qualquer sinal de remorso»: «Preferia que ficasses, mas quando te quiseres ir embora substituo-te em dois dias.» A pistola largada ao acaso por Maria Alfreda em cima de um móvel da sala – e evocada na ilustração da capa – nunca há-de chegar a entrar verdadeiramente em cena, a não ser no fascínio mudo do protagonista. «A fantasia do tiro de pistola com o seu sabor romanesco, a implicação de um desfecho trágico, elevado, camiliano», não chega a concretizar-se e o que resta é o drama sem grandeza de Gustavo Miguel. Um drama impiedosamente observado pela lente de Mário de Carvalho, um dos autores que melhor escreve, nos nossos dias, em língua portuguesa.
Carlos Vaz Marques [Texto publicado na edição nº 69 da LER, Maio de 2008]



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Vencedor do Prémio Planeta conhecido hoje à noite

O El País aponta como favoritos Elvira Lindo, Javier Serra ou Risto Mejide. Recorde que Fernando Savater venceu a edição de 2008 deste galardão com um valor monetário global de 601 mil euros.



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Santiago Negro

É o nome do primeiro festival internacional do romance policial latino-americano: mais de 40 escritores espanhóis e chilenos reunidos até 18 de Outubro em Santiago do Chile.



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Caim nas livrarias dia 19

Depois de apresentado ontem em Frankfurt, Caim tem outros dois lançamentos em Portugal: dia 18, às 21h30, no Museu Municipal de Penafiel; e dia 30, às 18h30, no Grande Auditório da Culturgest, em Lisboa. O novo romance de José Saramago chega às livrarias na próxima segunda-feira.



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Começa hoje a Escritaria em Penafiel

Depois da primeira edição dedicada a Urbano Tavares Rodrigues, o Escritaria volta hoje a Penafiel até 18 de Outubro para celebrar o Nobel português. Recorde-se que Prémio Literário José Saramago será anunciado amanhã, no Museu Municipal de Penafiel.



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Poesia reunida de António Osório apresentada amanhã

Guilherme de Oliveira Martins, Eugénio Lisboa, Fernando J.B. Martinho e José Manuel de Vasconcelos apresentam amanhã A Luz Fraterna - Poesia reunida (Assírio & Alvim), de António Osório, antologia de toda a obra poética produzida entre 1965 e 2009. A partir das 18h30, na Galeria Fernando Pessoa do Centro Nacional de Cultura, em Lisboa.


«A poesia de António Osório – e nela incluo, por assim dizer, todos os seus livros, mesmo os que, aparentemente, são de prosa — é sempre em verso livre (quando leio obras como a Libertação da Peste — livro notável — ou Crónica da Fortuna, o meu ouvido “diz-me” que estou a ler versículos, como quando leio A Raiz Afectuosa ou A Ignorância da Morte.)
Do já citado livro de C.S. Lewis, recolho uma observação pertinente e que me parece ser digna de ser tomada em conta pelos leitores da obra de António Osório, que agora se publica “completa”. Diz Lewis ser “possível que aos jovens de hoje se tenha deparado demasiado cedo o verso livre. Quando este é veículo de verdadeira poesia, os seus efeitos auditivos são de extrema subtileza e, para uma verdadeira apreciação, exigem um ouvido longamente familiarizado com a poesia metrificada. Aqueles que acreditam poder apreciar verso livre sem experiência de métrica estão, creio eu, a enganar-se a si próprios, tentando correr antes de saberem andar. Mas na corrida literal as quedas magoam e o aspirante a corredor logo descobre o seu erro.” Um dos grandes prazeres que podemos deduzir da leitura dos livros do autor de Décima Aurora vem de podermos ir ajustando, com cuidado e alguma teimosia, o nosso ouvido à música subtilíssima que se esconde na só aparente “liberdade” que os versos sugerem.» Eugénio Lisboa



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Máquinas de livros em Sete Rios e Santa Apolónia

O grupo Leya escolheu as estações de Sete Rios e de Santa Apolónia, em Lisboa, para instalar as suas primeiras máquinas de venda automática de livros da colecção BIS.



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Novo romance de José Rodrigues dos Santos

A Gradiva promete «várias surpresas nessa cerimónia de lançamento, que terminará com uma sessão de autógrafos». Fúria Divina é apresentado no dia 24 de Outubro, na Praça Central do Centro Colombo (piso 0), às 17h00.



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Quarta-feira, 14 de Outubro de 2009
Vook

A Simon & Schuster dá os primeiros passos.



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Inês Pedrosa e a fundação municipal

«Penso que agora temos condições políticas para que seja aprovada a transformação da Casa Fernando Pessoa numa fundação municipal.»



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Alice Vieira e Palavras Andarilhas nomeados para o Prémio Astrid Lindgren

A nova edição do mais importante prémio internacional de literatura infanto-juvenil, o Astrid Lindgren Memorial Award (ALMA), atribuído anualmente pelo Swedish Arts Council a escritores, ilustradores, contadores de histórias ou organismos de promoção da leitura, conta com 168 candidatos de 61 países. Anúncio do vencedor a 24 de Março de 2010.



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José Alfaro

Ao fim de 22 anos, o fundador da Quimera deixou no início de Outubro de ser sócio da editora. «Os tempos que vivemos obrigam, por vezes, a grandes decisões, e acredito que esta solução é a que melhor serve a prossecução do projecto e a que mais me convém também a mim». Desenvolvimento no Bibliotecário de Babel.



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As piores capas de livros editados em Portugal

Uma eleição com a assinatura da Pó dos Livros.



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Diário de Frankfurt

A acompanhar nos próximos dias.



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Prémio Leya 2009 para O Olho de Hertzog, de João Paulo Borges Coelho
«O romance vencedor restitui-nos o contexto histórico dos combates das tropas alemãs contra as tropas portuguesas e inglesas na I Guerra Mundial, na fronteira entre o ex-Tanganica e Moçambique, o confronto entre africânderes e ingleses, a emigração moçambicana para a África do Sul, a reacção dos mineiros brancos, as primeiras greves dos trabalhadores negros e a emergência do nacionalismo moçambicano, nomeadamente através da imprensa e dos editoriais do jornalista João Albasini», lê-se na acta do júri.
 
Notícia, comunicado e biografia do autor galardoado com a segunda edição do Prémio Leya.


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Caín

Primeiro capítulo da tradução espanhola do novo romance de José Saramago.



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Terça-feira, 13 de Outubro de 2009
Ruas com livros dentro

Por todas as cidades é frequente encontrar uma ou outra placa toponímica homenageando escritores portugueses, uns porque aí nasceram, outros porque aí habitaram. Mas nunca o homenageado foi o próprio livro. E isso encontra-se em Pombal, ao longo de vinte e seis ruas, numa pequena biblioteca com vinte e seis livros. Imagine, caro leitor, o que é dizer aos seus amigos, quando lhes indica a sua morada, que vive na Rua das Gaivotas em Terra, referência ao primeiro romance de David Mourão-Ferreira, ou então no Beco d’Os Gatos, obra de Fialho de Almeida. Certamente ficarão estupefactos e lhe perguntarão, desconfiados, se é mesmo verdade. Pode acreditar. Mas ainda há mais. Por exemplo, a Rua d’A Musa em Férias, de Guerra Junqueiro, a Rua d’Os Adoradores do Sol, de Fernando Namora ou a Rua do Pranto de Maria Parda, de Gil Vicente. Uma verdadeira biblioteca de obras portuguesas se acha pelas ruas da cidade de Pombal, no centro do país.
Tudo aconteceu em 1996, quando em reunião de Câmara, a 4 de Outubro, o Município de Pombal deliberou as denominações toponímicas a atribuir para algumas ruas da cidade de Pombal e da Charneca, privilegiando os livros em si e não directamente os seus autores. Este será talvez o melhor elogio que alguma vez se realizou em Portugal em prol da nossa literatura. Seguramente será também uma boa promoção do livro e da leitura, tão importante nos dias da iliteracia de hoje. Quantos dos seus moradores não se terão já questionado sobre aquele livro que designa a rua onde habita e não terão partido à sua descoberta.
Não querendo pecar por míngua ou omissão, prefiro correr o risco de ser fastidioso mas deixar registado em letra redonda os livros que se podem passear por Pombal. Assim, encontramos, além das referidas, a Rua d’O Fidalgo Aprendiz (D. Francisco Manuel de Melo); a Rua d’Os Lusíadas (Luís Vaz de Camões); a Rua da Cartilha Maternal (João de Deus); a Rua Só (António Nobre); a Rua dos Emigrantes (Ferreira de Castro); a Rua d’O Monge de Cister (Alexandre Herculano); a Rua Menina e Moça (Bernardim Ribeiro). Na Urbanização da Bela Vista: Rua da Mensagem (Fernando Pessoa); Rua d’A Morgadinha dos Canaviais (Júlio Dinis). Na Urbanização de São Cristovão: Rua d’O Primo Basílio (Eça de Queiroz); Rua d’A Sibila (Agustina Bessa-Luís); Rua do Leal Conselheiro (D. Duarte); Rua d’A Sobrinha do Marquês (Almeida Garrett); Rua da Estrela Polar (Vergílio Ferreira). Na Urbanização da Senhora de Belém: Rua da Peregrinação (Fernão Mendes Pinto); Rua do Memorial do Convento (José Saramago); Rua d’Este Livro Que Vos Deixo (António Aleixo); Rua do Amor de Perdição (Camilo Castelo Branco); Rua do Orfeu Rebelde (Miguel Torga); Rua das Décadas da Ásia (João de Barros). E por fim, na Charneca, nada mais a propósito do que a Rua da Charneca em Flor (Florbela Espanca). Só mais um pequeno conselho, caro leitor. Antes de iniciar o seu passeio à descoberta da nossa literatura, vá munido de um sápido lanche. Procure pelas bandas do Largo do Cardal pelas queijadas da Ti Maria Rata ou pelos Cardalinhos, verdadeiros ex libris da doçaria pombalense. Vai ver que o passeio lhe sabe pela vida.

 

Paulo Moreiras
Escritor



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Bertrand abre livraria no Porto

A 55ª livraria da rede Bertrand, com 280 metros quadrados, é inaugurada no próximo dia 15 de Outubro no centro comercial Porto Gran-Plaza, pelas 19h, com a presença de Mário Zambujal. De acordo com a Bertrand Livreiros, esta será a «segunda loja a receber o inovador serviço de medição do nível de satisfação do cliente (...) para medir em tempo real a qualidade do serviço prestado».



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Vencedores do passatempo Presença/LER

Sofia Regalo, Carla Ribeiro, Ana Patricia Ramos, Raquel Almeida e Vanessa Montês responderam correctamente («1969») à pergunta deste passatempo.



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Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009
História de Portugal em 3D

Algumas das imagens em 3D que fazem parte de Descobrimentos e Expansão – Séculos XV/XVI, primeiro volume (de sete) da colecção juvenil «História de Portugal», da autoria de Maria Cândida Proença. Edição Círculo de Leitores.



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Hugo Xavier abandona Cavalo de Ferro

Hugo Xavier, sócio fundador e editor da Cavalo de Ferro, anunciou hoje a sua saída da editora ao fim de oito anos, acrescentado que em breve terá novidades. «Quanto à Cavalo de Ferro», explica por e-mail, «seguirá sob a mão firme do Diogo [Madre Deus] que em breve vos indicará os novos contactos da empresa. Seja como for posso já adiantar-vos que a Cavalo de Ferro vai regressar muito em breve com a qualidade de sempre e um plano editorial que foi meramente interrompido pelo precalço com a Fundação Agostinho Fernandes



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Prémio Leya 2009

A obra vencedora e o nome do autor serão revelados amanhã, logo após o final da reunião do júri, às 18h, no Hotel Tiara, em Lisboa. O júri do Prémio Leya 2009 é constituído por Manuel Alegre (presidente), Nuno Júdice, Pepetela, José Carlos Seabra Pereira, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Lourenço do Rosário, reitor do ISPU de Maputo, Carlos Heitor Cony, escritor, jornalista e membro da Academia Brasileira de Letras, e Rita Chaves, crítica literária e professora da Universidade de São Paulo. Criado em 2008, o prémio de 100 mil euros distingue um romance inédito escrito em português.



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Feira do Livro de Frankfurt

Os próximos negócios&descobertas editoriais passam por aqui. Começa na quarta-feira.



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Novo romance de José Luís Peixoto publicado em Março

Título: «Livro».



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Domingo, 11 de Outubro de 2009
Trotsky

Simon Sebag Montefiore analisa a nova biografia escrita por Robert Service.



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José Emilio Pacheco

Antes de receber a 18ª edição do Prémio Rainha Sofia de Poesia Iberoamericana (17 de Novembro), o poeta mexicano merece destaque no El PaísCon 20 años piensas que tal vez un día llegues a escribir con una facilidad, con una certeza y un conocimiento... Y no, nunca. Siempre es por primera vez, siempre. Y, además, la mayoría de las cosas salen muy mal. La mayoría de los textos que haces son malísimos, para que uno te salga bien necesitas hacer 50 muy malos



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Chronotopes & dioramas

Até 18 de Abril de 2010 haverá uma biblioteca original na Hispanic Society of America, criada por Dominique Gonzalez-Foerster.



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Ian McEwan em Valparaíso

Tal como  Michel Houllebecq, Julian Barnes, Javier Marías ou Richard Ford, também Ian McEwan participou no seminário «La ciudad y las palabras», da Universidade Católica do Chile. Mas não só. Reportagem completa aqui.



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Sexta-feira, 9 de Outubro de 2009
Nobel da Literatura para Herta Müller (actual.)

A Academia sueca distinguiu a escritora alemã de origem romena Herta Müller, 56 anos. Apenas dois dos seus livros estão traduzidos em Portugal: O homem é um grande faisão sobre a terra (Cotovia, 1993) e A terra das ameixas verdes (Difel, 1999). Desenvolvimentos no Guardian, New York Times, Le Monde, The Times, El País (com um dos trabalhos mais completos sobre a autora).

 

Herta Müller recorda o regime de Ceausescu: «The fact that I was now considered a spy because I had refused to become one was worse than the attempt at recruitment and the death threat. That I was libelled by precisely those whom I protected by refusing to spy on them. Even death threats you get used to. They are part and parcel of this one life one has. But the libelling robbed one of one's soul.» Artigo completo no Guardian

 

«É uma escritora com uma enorme sensibilidade à língua e ao tratamento literário da língua. Isso não me espanta porque é muito comum em autores como ela, que vivem entre as línguas e que se decidem por uma», afirmou o tradutor e ensaísta João Barrento à TSF. «A escrita dela consegue trazer problemas políticos sem ser através de uma literatura de intervenção.»

 

«Não é um texto fluente, como por exemplo o do LeClézio, que ganhou o ano passado. É uma obra obsessiva, atormentada. Através da aglutinação de palavras, cria conceitos novos, que dão grande pertinência e profundidade ao texto, dificilmente traduzíveis para português.» Isabel Gil, especialista em Literatura Alemã da Universidade Católica.

  

Disponível aqui o conto A Canção de Marchar, tradução publicada na antologia Escombros e Caprichos: O Melhor do Conto Alemão no Século 20 (L&PM, 2004).

 

Fragmentos da tradução inglesa do livro de estreia, Niederungen, 1982. (Via Bibliotecário de Babel)

 

A 12ª mulher a receber o Nobel da Literatura. Outras listas aqui.

 

«Los ojos de Herta Müller», por Robert Saladrigas.

 

Excertos de alguns dos seus livros traduzidos (New York Times).

 

«A Prize That Shies From Predictability», por Dwight Garner.

 

Comentário de Pierre Assouline: «Décidément, le comité Nobel de l’Académie suédoise n’a pas fait beaucoup de progrès dans la rédaction de ses communiqués

 

Rogério Casanova: «A minha opinião genérica sobre a atribuição do Nobel a Herta Müller é, segundo me informaram, extremamente positiva.»



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50 Anos de Pintura e Desenho (1943-1993)

Inaugurada no fim de Setembro na Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, a exposição abre ao público na próxima quinta-feira (15 de Outubro). «Além de 37 obras de Mário Dionísio, de várias fases, a exposição inclui obras de vários artistas que por eles lhe foram oferecidas e que constam, assim, do seu espólio: Abel Salazar, Álvaro Cunhal, António Cunhal, Avelino Cunhal, Cândido Portinari, Carlos de Oliveira, Carlos Scliar, Germano Santo, José Júlio, Júlio, Júlio Pomar, Júlio Resende, Manuel Filipe, Manuel Ribeiro de Pavia, Maria Helena Vieira da Silva, Raul Perez.»

Até 31 de Dezembro.
Segundas, Quintas e Sextas das 15h às 20h.
Sábados e Domingos das 11h às 18h.



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