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Entrevista: Ferreira Fernandes

José Joaquim Ferreira Fernandes, nascido em 1948 em São Paulo, Luanda, é cronista e repórter. Emociona-se quando fala da infância em Luanda, e da Luanda de hoje. Tenso quando diz que não gosta do que pensou e fez nos anos de 1974 e 1975

EXCLUSIVO: Salman Rushdie sobre García Márquez

«Ele era jornalista e nunca perdia os factos de vista. Era um sonhador que acreditava na verdade dos sonhos. Era também um escritor capaz de momentos de uma beleza delirante e por vezes cómica.»

Joaquim Leitão: um gajo atado à cama

A sua cinefilia não nasceu com a Super 8, mas nas cadeiras dos «cinemas de reprise». Nos anos 60, estas salas eram uma espécie de clube de vídeo dois filmes por cinco escudos. Foi assim que chocou de frente com «o primeiro par de seios». E assim se fez um cinéfilo. Por Henrique Raposo.

Quarta-feira, 27 de Agosto de 2014
Fotografias exemplares. 7
27 Agosto, 2014

 

A banhos: Tom Wolfe e Kurt Vonnegut.

publicado por Ler às 17:54
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Terça-feira, 26 de Agosto de 2014
Fotografias exemplares. 6
26 Agosto, 2014

 

Dois dos bons: Jonathan Franzen e David Foster Wallace.

publicado por Ler às 17:53
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Segunda-feira, 25 de Agosto de 2014
Fotografias exemplares. 5
25 Agosto, 2014

 

Mr. Henry Miller e duas leitoras.

publicado por Ler às 17:52
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Domingo, 24 de Agosto de 2014
Fotografias exemplares. 4
24 Agosto, 2014

Mr. Faulkner escrevendo ao sol.

publicado por Ler às 18:13
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Sábado, 23 de Agosto de 2014
Fotografias exemplares. 3
23 Agosto, 2014

 

Truman Capote. 

publicado por Ler às 17:50
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Sexta-feira, 22 de Agosto de 2014
Fotografias exemplares. 2
22 Agosto, 2014

 

Os Amis. Martin — e o pai, Kingsley.

publicado por Ler às 17:49
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Petit scandale: Ó Lautréamont, então tu plagiavas como a Shakira?
22 Agosto, 2014

Vem aqui o resumo da história: Lautréamont copiou um artigo do Le Figaro, palavra por palavra. Mas, antes disso, já se sabia que tinha plagiado Buffon e Jean-Charles Chenu. 

publicado por Ler às 13:39
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Porque é que tantos políticos publicam livros na rentrée? Calma, não fujam! A pergunta é feita em França, não aqui
22 Agosto, 2014

Deputados portugueses apanhados a escrever os seus livros.

 

A francesa L’Express pergunta-se: «Porque é que tantos políticos publicam livros na rentrée?» Ensaios, livros-programa, memórias dos anos recentes ou passados, de tudo um pouco. Poderíamos perguntar-nos por que razão nenhum político português publica livros este ano; por um lado, traduz bem a qualidade dessa interessante classe profissional; por outro, é uma felicidade (dadas as conhecidas incompatibilidades da maior parte deles com a nossa língua).

publicado por Ler às 12:56
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Leitores de livros em papel recordam melhor as histórias dos livros do que os fanáticos do Kindle
22 Agosto, 2014

Foste apanhada com o iPad e não estavas a ler O Monte dos Vendavais...

 

Um estudo da universidade de Stavanger, na Noruega – realizado em toda a Europa – chegou à conclusão de que os leitores de livros em papel recordam mais pormenores (e com mais intensidade) das histórias de livros lidos em papel do que as dos dispositivos de e-books. Se acrescentarmos a isso o facto de no ano passado se ter registado um aumento de 20% nas vendas de livros em formato digital, é caso para estarmos preocupados acerca da atenção dos leitores...

publicado por Ler às 12:32
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Os finalistas do Prémio Le Monde
22 Agosto, 2014

Depois de, no ano passado, o Prémio do Le Monde ter distinguido Yellow Birds, de Kevin Powers (Stock) [Pássaros Amarelos, Bertrand], et à Heureux les heureux, de Yasmina Reza (Flammarion) [Felizes os Felizes, Quetzal], aqui está a lista dos nove finalistas deste anoFaux nègres de Thierry Beinstingel (Fayard), Dans les yeux des autres, de Geneviève Brisac (L'Olivier), Le Royaume, d'Emmanuel Carrère (POL), Viva, de Patrick Deville (Seuil), La Condition pavillonnaire, de Sophie Divry (Noir sur Blanc), Quiconque exerce ce métier stupide mérite tout ce qui lui arrive, de Christophe Donner (Grasset), Tram 83, de Fiston Mwanza Mujila (Métailié), Tristesse de la terre. Une histoire de Buffalo Bill Cody, de Eric Vuillard (Actes Sud) e Mécanismes de survie en milieu hostile, de Olivia Rosenthal (Verticales).

publicado por Ler às 12:16
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Bares na literatura
22 Agosto, 2014

Segundo o The Guardian, são estes os dez restaurantes e bares no top da literatura. Como é evidente, a lista é muito, muito discutível.

publicado por Ler às 12:07
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O autor de ‘A Guerra dos Tronos’ odeia selfies e gostaria de mandar queimar os telemóveis com câmara
22 Agosto, 2014

George RR Martin, o autor de ‘A Guerra dos Tronos’, 65 anos, esteve no Festival de Edimburgo. Diz que não pensa, ainda, em escrever novos livros – e que, enjoado de selfies, se pudesse, queimaria todos os telemóveis com câmara.

publicado por Ler às 12:03
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Bibliotecas vão ter de pagar taxa de direitos de autor
22 Agosto, 2014

Já entrou em vigor em Espanha a lei sobre o direito de empréstimo de livros – que obriga as bibliotecas a pagar aos autores uma taxa sobre os empréstimos de livros. Portugal vai ter de adotar em breve essa diretiva europeia.

publicado por Ler às 12:02
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Quinta-feira, 21 de Agosto de 2014
Fotografias exemplares. 1
21 Agosto, 2014

Ian Fleming sob o olhar atento e discreto de Raymond Chandler. (1956)

publicado por Ler às 17:45
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Quarta-feira, 20 de Agosto de 2014
E se Nova Iorque fosse Ferguson?
20 Agosto, 2014

Tendo em conta o que está a acontecer em Ferguson durante estes dias e, sem dúvida, em muitas outras cidades americanas, eis a resposta de autores como Teju Cole, Lydia Davis, Dave Eggers, Jonathan Safran Foer, Colum McCann, Taye Selasi, Zadie Smith, Maria Venegas ou Edmund White — Tales of Two Cities, com o subtítulo «The best and worst of times in today’s New York».

 

 

publicado por Ler às 12:48
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Mais contra a Amazon
20 Agosto, 2014

Autores de língua alemã (da Suíça, Áustria e Alemanha) — entre eles está a Nobel austríaca Elfriede Jelinek — protestam contra «os métodos» da Amazon em relação aos autores e livros publicados pelo grupo Bonnier. Os «métodos» da Amazon são idênticos aos usados, nos EUA, contra o grupo Hachette. Uma guerra que vai a meio.

publicado por Ler às 11:50
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Lindsay Lohan em três volumes
20 Agosto, 2014

 

  

Pois parece que Lindsay Lohan (publicamos estas fotografias acima para melhor identificarmos uma eventual obsessão), depois de ter anunciado que tem em seu poder uma «sex list» — com os nomes de todos os homens e mulheres da cinema com quem trocou fluidos corporais —, continua em maré de anúncios: além de querer publicar um livro de auto-ajuda para adolescentes, encara a possibilidade de avançar, finalmente, com a sua autobiografia: em três volumes, e com imagens. Aos 28 anos. 

 

publicado por Ler às 11:20
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E se os editores, afinal, fossem mesmo prejudiciais à literatura, ao jornalismo e aos autores em geral?
20 Agosto, 2014

A pergunta vem neste artigo de Hamilton Nolan e é, no contexto americano, demasiado sindical, referindo-se sobretudo ao papel dos editores de jornalismo: «In the writing world, there is a hierarchy. The writers are on the bottom. Above them are editors, who tell the writers what to change. This is backwards. How many good writers has Big Edit destroyed?»

publicado por Ler às 11:12
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Um exemplo de crítica: como ler Paulo Coelho e tal, através de um resumo de 700 palavras
20 Agosto, 2014

Uma crítica de John Crace no The Guardian ao último livro de Paulo Coelho, Adultério: um resumo do livro exatamente em 700 palavras, rigorosamente em 700 palavras, terminando com «"I think you need help," he replies.». 

publicado por Ler às 11:05
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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2014
Bad bank, bad banker: LER no Chiado discute coisas destas
13 Agosto, 2014

Em Setembro, Anabela Mota Ribeiro vai ajudar-nos a ler O Último Banqueiro, o livro sobre a ascensão e a queda de Ricardo Salgado, e discutir os mecanismos do poder em Portugal. O que o sustenta?, o dinheiro?, e que poder resta a Salgado depois da deflagração? – e como foi possível ter tanto poder em Portugal? Com as jornalistas Maria João Babo e Maria João Gago, autoras do livro, e o sociólogo e comentador político Pedro Adão e Silva. 

Na primeira quinta-feira de Setembro, dia 4, às 18.30h,

na Bertrand do Chiado.

Moderação de Anabela Mota Ribeiro.

Ler no Chiado é uma iniciativa da revista LER e das Livrarias Bertrand. 

publicado por Ler às 17:02
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Bad bank, bad news, etc. Livrarias americanas em queda.
13 Agosto, 2014

As vendas de livros – em livrarias – nos Estados Unidos caíram 7,9% no primeiro semestre deste ano, «em comparação com igual período do ano anterior». 

publicado por Ler às 16:05
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A querela da Amazon, por David Carr
13 Agosto, 2014

Excelente artigo de David Carr no The New York Times sobre a polémica da Amazon:

 

Books, we are told, are relics that have reached their sell-by date, put out by an industry that is a desiccated shell of its former self.

Someone forgot to tell the book business that it was dead. Last Thursday afternoon, I walked over to the Javits Center in Manhattan, where a throng of people had gathered for BookExpo America, the industry’s annual campfire — so many people that I wondered if there was a free whiskey concession. But no, the place was jammed with books — literary fiction, young adult, cooking, spiritual, wellness — and with the people who write and sell them.

The immense space was brimming with a surprising amount of optimism: After years of downward spiral, the industry seems to have found some kind of equilibrium.

It has also watched with a mix of giddiness and anxiety as the Hachette Book Group, one of the big Manhattan publishers, has taken on Amazon in a bitter dispute over pricing. Hachette is suffering big losses because Amazon is delaying delivery of Hachette titles while also eliminating discounts. (Its authors are getting clobbered in the process.) Amazon is taking a reputational hit for not putting its customers first, which has long been its guiding philosophy. […]

publicado por Ler às 15:15
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A guerra da Amazon aos livros. (E quando a imprensa portuguesa andava distraída)
13 Agosto, 2014

Em fevereiro deste ano, a LER publicou um resumo do que iria ser a guerra Amazon-Hachette. O texto da revista em papel:

 

A gigante amazona

 

A luta entre o gigante Amazon e o gigante Hachette é apenas um episódio da guerra surda entre o poder da distribuição e a capacidade de mobilização dos editores.

 

 

Em 2008, no relatório anual aos seus acionistas, não aparecia menção ao facto de a Amazon vender livros. Já naqueles tempos, o gigante da distribuição e venda pela internet fazia o seu lucro com produtos que iam de sapatos a computadores, da roupa ao mobiliário, dos carros às salsichas embaladas em vácuo. Um conjunto irrisório de céticos e resistentes ia avisando que a gigantesca loja trataria de «desvalorizar o livro». A ideia da Amazon era tão inteligente como ingénua e perigosa, na pequena área dos livros: vendê-los, sim – mas também editá-los, em papel ou formato digital (para o seu leitor exclusivo, o Kindle), além de agenciar autores e pagar-lhes como a produtores de leite do Mondego confinados ao seu pasto. Foi reconhecido aos céticos e resistentes que, afinal, tinham razão: sim, podia ser uma armadilha, embora a Amazon distribua os seus produtos com invejável rapidez. Agora é já o poderoso grupo Hachette acaba de entrar na guerra, não cedendo à exigência de margens de comercialização que arrasariam o próprio produto: «A Amazon precisa de valorizar adequadamente os autores e os editores.» Ou seja, não pode tratar ambos como se fossem produtores de leite do Mondego, passe a imagem.

Estava escrito, mas é uma lição: Michael Pietsch, o CEO do grupo Hachette, lutou (enquanto editor da Little, Brown) durante anos com um autor chamado David Foster Wallace, para que este cortasse algumas centenas de páginas do seu manuscrito A Piada Infinita (pelo qual pagara 80 mil dólares) e o tornasse «mais legível» e com uma história «mais normal». Doze anos depois, a Amazon luta com um CEO chamado Michael Pietsch para que corte na percentagem de direitos de autor e na sua margem de comercialização a fim de tornar irrisório o preço dos e-books – e, assim, bater por larga distância o preço dos livros em papel, o inimigo número um do «gigante da distribuição», que também vende o dispositivo Kindle. Ora, nem de propósito, o Departamento de Justiça americano investigou em 2012 três editores por concertarem e baixarem para a fronteira do dumping (através da Amazon) os seus preços de e-books. Quem eram eles? Simon & Schuster, HarperCollins e... o grupo Hachette.

Desta vez, como retaliação por a Hachette não aceitar as condições da Amazon, os livros do grupo foram subtilmente retirados do catálogo, ou distribuídos com atrasos recordes atribuídos «ao editor». 

publicado por Ler às 12:32
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Amazon: o folhetim
13 Agosto, 2014

A ministra francesa da cultura, Aurélie Filippetti, considera que a Amazon ataca a diversidade cultural e literária. A posição de Flipetti surge na sequência da guerra entre o grupo Hachette e o gigante da distribuição – e do manifesto, assinado por 900 autores (no New York Times) e subsequentes polémicas.

 

Aqui, o manifesto dos autores. Aqui, a posição de um autor especialmente informado, Lee Child.

publicado por Ler às 12:23
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Os 56 maiores editores do mundo — em números e por ordem
13 Agosto, 2014

 

Continua a não haver alterações na lista dos seis primeiros (por esta ordem: Pearson, Reed Elsevier, Thompson-Reuters, Wolters Kluwer, Random House/Bertelsmann, Hachette), embora este ano se esperem novidades, sobretudo com a oferta de aquisição da Santillana não-escolar (grupo Prisa, em dificuldades conhecidas) pela Random House/Bertelsmann. A Random/Bertelsmann, por seu lado, mantém o primeiro lugar absoluto na edição global não escolar ou educacional, sobretudo depois da aquisição dos 53% da Penguin e da totalidade da Mondadori.

Fonte: Publishers Weekly.

publicado por Ler às 12:11
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Terça-feira, 12 de Agosto de 2014
Dóris. 1963-2014
12 Agosto, 2014

Dóris Graça Dias (Moçambique, 1963 - Lisboa, 2014)

 

Uma despedida para a Dóris nunca poderá ser demorada, porque era uma amiga; existem os longos anos de uma amizade (entre nós, e com os livros) e de muitos livros e gargalhadas. Um dia vamos esquecer os livros e as gargalhadas – e tudo o resto. Mas não a Dóris. Publicou dois livros, As Casas e Biblos. Os Livros – e milhares de textos sobre os livros dos outros. Era colaboradora da LER desde 1987. Colaborou em jornais, revistas, programas de rádio e televisão, deu aulas. A Dóris estará sempre connosco.

 

 

Fotografia publicada hoje por José Riço Direitinho na sua página de Facebook.

«Quando ainda sorríamos e não sabíamos.»

publicado por Ler às 15:53
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Sexta-feira, 1 de Agosto de 2014
Cidades literárias: ainda a tempo de marcar viagem
01 Agosto, 2014

 

 

Cidades para visitar com livros debaixo do braço: é essa a proposta de Filipa Melo na LER de julho de 2008, disponível aqui.

publicado por Ler às 15:43
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Livrarias na terra prometida (ou parecida)
01 Agosto, 2014

O Washington Post dá conta de alguns casos de pessoas que abriram livrarias em lugares onde gostariam de viver («resort towns»...). Uma boa ideia.

publicado por Ler às 15:33
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Ler Harry Potter faz bem a outras coisas
01 Agosto, 2014

Alguns estudos (ah, a taxa de ocupação dos cientistas sociais...) recentemente publicados dão conta de que a leitura das histórias de Harry Potter favorecem a tolerância para com imigrantes e homossexuais, por exemplo. 

 

Já agora, veja como são as novas capas da série Harry Potter apresentadas pela Bloomsbury.

publicado por Ler às 15:28
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Quarta-feira, 30 de Julho de 2014
Salman Rushdie sobre Gabriel García Márquez
30 Julho, 2014

Salman Rushdie em exclusivo na edição da LER: «A nossa única reação possível é gratidão. Era o maior de nós todos.» Uma evocação comovida de Gabriel García Márquez.

 

 

 Texto de Salman Rushdie

 

Gabo vive. A extraordinária atenção internacional dada à morte de Gabriel García Márquez e a sincera tristeza sentida por leitores de todo o mundo com o seu desaparecimento dizem-nos que os livros ainda estão muito vivos. Algures, um «patriarca» ditatorial ainda manda cozinhar o seu rival e servi-lo aos seus convidados durante o jantar numa grande travessa; um velho coronel espera uma carta que nunca chega; uma bela jovem está a ser prostituída pela sua avó impiedosa; e um patriarca mais amável, José Arcadio Buendía, um dos fundadores da nova aldeia de Macondo, um homem interessado em ciência e alquimia, declara à sua horrorizada mulher que «a Terra é redonda como uma laranja».

Vivemos numa era de mundos inventados, alternativos. A Terra Média de Tolkien, Hogwarts de Rowling, o universo distópico de Os Jogos da Fome, os lugares onde vampiros e mortos-vivos predam: esses lugares estão na moda. Porém, apesar da apetência por ficção fantástica, no melhor do microcosmos da literatura ficcional há mais verdade do que ficção. No Yoknapatawpha de William Faulkner, no Malgudi de R.K. Narayan e, sim, na Macondo de Gabriel García Márquez, a imaginação é usada para enriquecer a realidade, não para fugir dela. Cem Anos de Solidão conta agora 47 anos e apesar da sua popularidade colossal e duradoura, o seu estilo – o realismo mágico – em grande medida deu lugar, na América Latina, a outras formas de narrativa, de certo modo em reação à absoluta grandeza do feito de García Márquez.

O escritor mais conceituado da geração seguinte, Roberto Bolaño, declarou, como é sabido, que o realismo mágico «já cheira mal» e troçou da fama de García Márquez, descrevendo-o como «um homem todo satisfeito por ter sido íntimo de tantos Presidentes e arcebispos». Foi um desabafo infantil, mas mostrou que para muitos escritores latino-americanos a presença do grande colosso no seu seio era mais do que algo opressiva. («Tenho a impressão», disse-me um dia Carlos Fuentes, «de que na América Latina os escritores já não conseguem usar a palavra “solidão”, com medo de que as pessoas pensem que se trata de uma referência a Gabo. E receio», acrescentou, com malícia, «que em breve também já não possamos usar “cem anos”.») Nenhum escritor teve no mundo inteiro um impacto equivalente no último meio século. Ian McEwan comparou recentemente a sua proeminência à de Charles Dickens. Nenhum escritor, depois de Dickens, foi tão vastamente lido, e tão profundamente amado, como Gabriel García Márquez.

O desaparecimento do grande homem pôs fim à ansiedade dos escritores latino-americanos em relação à sua influência e permite que a sua obra seja apreciada de forma não competitiva. Fuentes, reconhecendo a dívida de García Márquez para com Faulkner, cha­mou a Macondo o condado de Yoknapatawpha do escritor colom­biano e esse pode ser um melhor ponto de entrada na obra. Estas são histórias de pessoas reais e não contos de fadas. Macondo existe; é essa a sua magia. O problema da expressão «realismo mágico», el realismo mágico, é que quando as pessoas o pronunciam ou ouvem estão na realidade a ouvir ou a pronunciar apenas metade, «mágico», sem prestarem atenção à outra, «realismo». Mas se o realismo mágico fosse apenas mágico, não seria relevante. Seria pura fantasia – uma escrita em que, porque tudo pode acontecer, nada produz efeito. É por a magia ter raízes profundas no real, por nascer do real e iluminá-lo de formas belas e inesperadas, que o realismo mágico funciona. Reparem nesta passagem de Cem Anos de Solidão:

«Logo que José Arcadio atravessou a sala, um fio de sangue passou por debaixo da porta, atravessou a sala, saiu para a rua, seguiu reto pelas calçadas irregulares, desceu degraus e subiu pequenos muros, passou de largo pela Rua dos Turcos, dobrou uma esquina à direita e outra à esquerda, virou em ângulo reto diante da casa dos Buendía, passou por debaixo da porta fechada, atravessou a sala de visitas colado às paredes para não manchar os tapetes […] e apareceu na cozinha onde Úrsula se dispunha a partir trinta e seis ovos para o pão.

– Ave Maria Puríssima! – gritou Úrsula.»

Algo de absolutamente fantástico está aqui a acontecer. O sangue de um homem morto adquire um propósito, quase uma vida própria, e move-se metodicamente pelas ruas de Macondo até ir parar aos pés da sua mãe. A conduta do sangue é «impossível», no entanto sentimos a passagem como verdadeira, o percurso do sangue parece reproduzir a viagem da notícia da morte dele, desde o quarto onde dispara sobre si próprio até à cozinha da mãe, e sentimos a sua chegada aos pés da matriarca Úrsula Iguarán como alta tragédia: uma mulher toma conhecimento de que o filho morreu. O sangue de José Arcadio pode e deve continuar a viver até transmitir a Úrsula a triste notícia. O real, ao ser-lhe acrescentado o mágico, ganha na verdade força dramática e emocional. Torna-se mais real e não menos.

O realismo mágico não foi invenção de García Márquez. O brasileiro Machado de Assis, o argentino Jorge Luis Borges e o mexicano Juan Rulfo precederam-no. García Márquez estudou atentamente a obra-prima de Rulfo, Pedro Páramo, e equiparou o impacto que a obra teve nele ao d’A Metamorfose de Kafka. (Na cidade-fantasma de Pedro Páramo, Comala, é fácil encontrar a origem da Macondo de García Márquez.) Mas a sensibilidade mágico-realista não se circunscreve à América Latina. Assoma em todas as literaturas mundiais de tempos a tempos e García Márquez era conhecido pela sua vasta cultura literária.

O interminável processo judicial de Charles Dickens, Jarndyce vs. Jarndyce em Casa Abandonada, encontra correspondência no interminável comboio que leva uma semana a atravessar Macondo. Dickens e García Márquez são ambos mestres da hipérbole cómica. O Gabinete da Circunlocução de Dickens, um departamento gover­namental que existe para não fazer nada, habita a mesma realidade ficcional que todos os governadores e tiranos indolentes, corruptos e autoritários na obra de García Márquez.

O Gregor Samsa de Kafka, metamorfoseado num enorme inseto, não se sentiria deslocado em Macondo, onde as metamorfoses são tratadas como lugares-comuns. O Kovalyov de Gógol, cujo nariz se destaca do rosto e vagueia por Sampetersburgo, também se sentiria em casa. Os surrealistas franceses e os fabulistas americanos fazem também parte desta companhia literária, inspirados pela ideia da ficcionalidade da ficção, pela sua natureza composta, ideia que liberta a literatura dos confins do naturalista e lhe permite abordar a verdade por meio de vias mais irracionais e talvez mais interessantes. García Márquez sabia muito bem que pertencia a uma família literária extensa. William Kennedy cita-o: «No México, o surrealismo anda pelas ruas.» E de novo: «A realidade latino-americana é inteiramente rabelaisiana.»

Mas lá está: os voos de fantasia precisam de terra firme entre eles. Quando li García Márquez pela primeira vez nunca tinha ido a qual­quer país da América Central ou da América do Sul. No entanto, nas suas páginas encontrei uma realidade que conhecia bem da minha própria experiência na Índia e no Paquistão. Nos dois lugares havia, e há, um conflito entre a cidade e a aldeia e existem fossos semelhan­temente profundos entre ricos e pobres, poderosos e não-poderosos, grandes e pequenos. Ambos são sítios com uma forte história colonial e em ambos a religião é da maior importância e Deus está vivo tal como, in­fe­liz­mente, os piedosos. Conheci os coronéis e generais de García Márquez, ou pelo menos os seus equivalentes indianos e paquis­ta­neses; os seus bispos eram os meus mulás; os seus mercados de rua eram os meus bazares. O mundo dele era o meu, traduzido para espanhol. Não admira que me tenha apaixonado por ele – não pela sua magia (embora, enquanto escritor criado a «lendas fantásticas» do Oriente, isso também fosse atraente), mas pelo seu realismo. O meu mundo era, porém, muito mais urbano do que o dele. É a sensibilidade da aldeia que confere ao realismo de García Márquez o seu sabor particular, a aldeia em que a tecnologia é assustadora mas uma ra­pa­riga devota a subir aos céus é perfeitamente credível; em que, tal como nas aldeias indianas, em toda a parte se acredita que o miraculoso coexiste com o quotidiano.

Ele era jornalista e nunca perdia os factos de vista. Era um sonhador que acreditava na verdade dos sonhos. Era também um escritor capaz de momentos de uma beleza delirante e por vezes cómica. No início d’O Amor nos Tempos de Cólera: «O cheiro das amêndoas amargas recordava-lhe sempre o destino dos amores contrariados.» No cerne d’O Outono do Patriarca, depois de o ditador vender o mar das Caraíbas aos americanos, os engenheiros navais do embaixador americano «levaram-no em peças numeradas, para o semearem longe dos furacões nas auroras de sangue do Arizona […], levaram-no com tudo o que tinha dentro, meu general, com o reflexo das nossas cidades, os nossos afogados tímidos, os nossos dragões dementes». O primeiro comboio chega a Macondo e uma mulher enlouquece de pavor. «Vem aí – conseguiu explicar – uma coisa horrível que parece uma cozinha a arrastar uma aldeia.» E, claro, inesquecivelmente:

«O coronel Aureliano Buendía promoveu trinta e duas revoluções armadas e perdeu todas. Teve dezassete filhos varões de dezassete mulheres diferentes, que foram exterminados um por um numa só noite, antes que o mais velho completasse trinta e cinco anos. Escapou a catorze atentados, setenta e três emboscadas e um pelotão de fuzilamento. Sobreviveu a uma dose de estricnina no café que daria para matar um cavalo.»

Por tal magnificência, a nossa única reação possível é gratidão. Era o maior de nós todos.

 

© LER  |  © Salman Rushdie, 2014

Tradução de Sofia Gomes

 

publicado por Ler às 08:44
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