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LER

Livros. Notícias. Rumores. Apontamentos.

Shakespeare, tradução de Vasco Graça Moura

SONETO LVI

 

Renova a força, amor, e não se diga

que tens mais rombo fio que apetite

que a fome por um dia só mitiga

e seu gume amanhã de novo excite.

Se assim, amor, embora hoje alimentes

o olhar faminto até que pisca cheio,

volta a ver amanhã e não violentes

o espírito de amor com longo enleio.

Seja esta triste pausa qual oceano

a terra dividindo e onde um par

vem cada dia à praia e vendo ufano

que volta amor, bendiz o que avistar.

Ou chama a isso inverno que ansioso

torna o verão três vezes mais precioso.

As listas da LER: 10 livros com álcool

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O álcool como fator criativo e destrutivo, como força demiúrgica e apocalíptica, o álcool de Baudelaire e de Bukowski, está fora de moda. Agora é mais sumos detox até porque os poetas já não se querem gordos e desfraldados não se vá dar o caso de alguém os convidar para uma telenovela da TVI, para a revista de imprensa da manhã num canal de cabo, ou para um gosmento elogio fúnebre. Portanto, da nossa lista de 10 simpáticos livros de alguma forma relacionados com álcool, sugerimos a leitura de Vamos Beber Um Gin?, um guia muito atual para bem receber amigos literatos em casa, afixando à entrada o aviso profilático: «Seja responsável, beba com moderação e escreva sem tesão.»

 

  • Malcolm Lowry, Debaixo do Vulcão [Livros do Brasil]
  • Ernest Hemingway, Paris É Uma Festa [Livros do Brasil]
  • F. Scott Fitzgerald, Terna É a Noite [Relógio d’Água]
  • Augusten Burroughs, A Seco [Bico de Pena]
  • Kingsley Amis, A Sorte de Jim [Quetzal]
  • Paula Hawkins, A Rapariga no Comboio [Topseller]
  • Miguel Somsen & Daniel Carvalho, Vamos Beber Um Gin? [Casa das Letras]
  • Evelyn Waugh, Reviver o Passado em Brideshead [Relógio d’Água]
  • Jean Rhys, Bom-Dia, Meia-Noite [Vega]

Algumas das frases do trimestre

«As histórias são o melhor antídoto contra o fanatismo.»

Jostein Gaarder, escritor. El País.

 

«Nós, artistas, somos canibais.»

John Banville, escritor. El País

 

«O melhor crítico é sempre o leitor.»

António Tavares, vencedor do Prémio LeYa. Diário de Notícias.

 

«Sem erotismo, a vida não tem a menor graça.»

Chico César, músico e poeta, autor de Versos Pornográficos. O Globo.

 

«A poesia tem uma sensualidade infernal.»

Maria Bethânia, cantora. O Globo.

 

«No nosso tempo há uma sacralização das vítimas. São convertidas em heróis.»

Javier Cercas, escritor. i.

 

«A edição não é uma ciência, é antes uma questão de gosto.»

Sonny Mehta, editor. El País.

 

«O assédio sexual na ciência começa geralmente assim: uma mulher (uma estudante, uma técnica de laboratório, uma professora) recebe um e-mail e percebe que a linha onde vem o “assunto” é um pouco estranha: “Preciso de falar contigo”, ou “Os meus sentimentos”. As primeiras linhas referem-se ao estado físico e mental alterado do seu autor: “É tarde e eu não consigo dormir” é um clássico, embora “Talvez seja das três doses do conhaque” também seja popular nas universidades.»

Hope Jahren, professora of geobiologia e autora do livro de memórias Lab Girl (Random House). The New York Times.

 

«A chance de um romancista em auto-publicação ter uma recensão ao seu livro na grande imprensa é a mesma de o meu cão não comer uma salsicha. A chance de um autor indie ser convidado para um grande festival de literatura? É como Donald Trump pedir desculpa ao México.»

Ros Barber, escritor. The Guardian.

 

«Por algum motivo preocupamo-nos mais em mudar o mundo do que mudar-nos a nós mesmos.»

Rodrigo Cortés, cineasta e escritor espanhol. ABC.

 

«Terei sido inconveniente e arrogante, mas neste momento sou um gajo normal.»

Manuel João Vieira, músico. Notícias Magazine.

 

«A guerra está à nossa porta mas as músicas de hoje são lamechas.»

Zé Pedro, músico. Diário de Notícias.

 

«O maior orgulho da minha vida não são os livros, é ter o amor dos meus soldados.»

António Lobo Antunes, escritor. Jornal de Negócios.

 

«A cultura da nota é nociva.»

Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação. Diário de Notícias.

 

«A crítica? Ela é sobretudo mal fundamentada e mal escrita. É pegar ou largar. Louvores, grandes frases na capa do livro?'Irrelevante. Na verdade eu não entendo muitos dos comentários sobre os meus livros. Os meus amigos não costumam lê-los. Devem achá-los deprimentes. Não me importo. Eu acho que a maioria dos escritores são monomaníacos; o remédio é ir em frente. Continuar.»

Anita Brookner, escritora, falecida em março de 2016. Última entrevista no The Daily Telegraph.

 

«Apesar das virtudes, ele era um maluco.»

Juan Thompson, sobre o pai, o escritor Hunter S. Thompson. O Globo.

 

«Sou egoísta, um egocêntrica, polígama, amoral, irresponsável, desequilibrada, definitivamente um péssimo exemplo para a sociedade.»

Doris Lessing, escritora, numa carta de 1944 agora divulgada. The Guardian.

 

«Em Portugal, andamos todos a ver quem é que arranca os olhos a quem.»

Mariza, fadista. Diário de Notícias.

 

«Não me apetecia nada morrer amargurado.»

Jorge Silva Melo, autor e encenador. Diário de Notícias.

 

«Só para explicar de que trata o romance são precisos 45 minutos. E, no entanto, toda a gente fica surpreendida com a velocidade a que avança o livro.»

Robert Falls, encenador do Goodman Theatre, de Chicago, que adaptou 2666, de Roberto Bolaño (1100 páginas), para a nova temporada – num total de 4h30. The New York Times.

 

«Eu tenho uma ideia que não sei se está confirmada, mas creio que toda a situação de tensão, medo e claustrofobia desencadeada em Lima naqueles tempos [os de Alberto Fujimori na Presidência] mostrou o sexo como uma tábua de salvação no meio do caos, uma forma de fugir da realidade. Uma busca do prazer para escapar de todo aquele horror político.»

Mario Vargas Llosa, sobre Cinco Esquinas, o seu novo romance. El País.

 

«Exprimir preocupação sobre o racismo é uma nova religião, e concentrar-se em questões de linguagem em vez de analisar a mecânica política e os seus significados é o meio mais fácil e mais seguro de ter a certeza de que se é visto na primeira fila da nova igreja.»

Jarett Kobek, autor do romance I Hate the Internet. The New York Times.

 

«Há de haver sempre um caminho armadilhado entre o autor e o seu leitor, graças aos agentes, editores à percentagem, técnicos de marketing, números de vendas na Amazon, por aí fora. A vida era mais fácil quando os editores não pediam uma sinopse, mas simplesmente liam o romance (sobretudo isso: tinham tempo para lê-lo) e tomavam uma decisão.»

Fay Weldon, escritora. The Independent.

 

«O homem sem memória, sem filosofia e sem escrita não é nada. Também não é nada sem tristeza, sem fatalismo, sem violência e paixões. Como um sequestro da política pela economia e um sequestro da liberdade pela segurança, há também um sequestro do conhecimento humanístico em nome do utilitário.»

Ricardo Menéndez Salmón, escritor. ABC.

 

«Nada falha tanto como o sucesso.»

Jean d’Ormesson, escritor. Le Magazine Littéraire.

 

«Há dias Kafka e há dias Agatha Christie. Há dias em que se vai passear acompanhado por D’Artagnan e Athos, e outros dias pelo Rei Lear.»

Javier Marías, escritor. El País.

 

A um tonto não há forma de convencê-lo a que deixe de ser tonto. É preciso descer ao seu nível. E,nesse nível, os tontos são imbatíveis.»

Arturo Pérez-Reverte, escritor. ABC.

 

SINDICÂNCIA: Carla Hilário Quevedo «A proibição de comer carne seria terrível para mim.»

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Carla Hilário Quevedo, estudiosa e apaixonada pela cultura clássica, colunista e autora do já histórico blogue Bomba Inteligente e do imprescindível As Mulheres Que Fizeram Roma. 14 Histórias de Poder e Violência (Esfera dos Livros).

 

Um livro que não leu.

To Kill a Mockingbird, da Harper Lee.

O(a) autor(a) que mais a irrita.

Presentemente é o Alain de Botton, de quem comecei por gostar, n’O Consolo da Filosofia, mas que decidiu basear a sua carreira na ideia falsa de que os livros são medicamentos que curam doenças da alma. Transformou-se num autor de livros de autoajuda e tenho pena.

Que frase tatuaria se a obrigassem?

Nenhuma. Odeio tatuagens.

Um exemplo de beleza.

Uma frase logo no início do Teeteto de Platão (trad. Adriana Manuela Nogueira e Marcelo Boeri, ed. Fundação Gulbenkian, 2010), dita por Teodoro a Sócrates: «[Teeteto] [...] avança suavemente para a aprendizagem, sem vacilar, com eficácia e a maior gentileza, como um fio de azeite que corre sem ruído; sendo de admirar como, com esta idade, alguém age desta maneira» (144b).

Um exemplo de elegância.

Mrs. Francis Underwood, em House of Cards.

Um exemplo de fealdade.

Havaianas na cidade.

Um livro para oferecer ao pai.

As Mulheres Que Fizeram Roma: 14 Histórias de Poder e Violência, pois claro.

Em que país gostaria de ter nascido?

[Depois de muito ponderar.] Acho que naquele em que nasci: em Portugal.

Em que país gostaria de morrer?

Em Portugal.

A que político daria sempre o seu voto?

«Sempre» é impossível, porque as pessoas mudam: políticos e eleitores.

Que proibição alimentar lhe seria mais custosa?

A proibição de comer carne seria terrível para mim.

Quem lhe suscita inveja?

Inveja é uma palavra muito forte e um vício horrível. Que seja consciente disso, ninguém.

Um passeio no parque ou uma noite na ópera?

Um passeio no parque.

Cerveja, vinho tinto, vinho branco ou whisky?

Na verdade, nenhum. Excecionalmente, whisky.

A música que nunca lhe sai da cabeça.

«By the Sea», do Sweeney Todd, de Stephen Sondheim.

Um insulto.

Vai à merda. [Vai tu.]

O palavrão que usa mais vezes.

Não digo palavrões, mas penso às vezes em compostos do género «porradumraioquemaparta».

O fim de semana ideal.

Na praia.

O lugar ideal para passar férias.

Porto Santo.

A sua finest hour.

Não me lembro. Se calhar ainda não tive.

Um jogador de futebol.

Diego Maradona, claro.

O que escolheria para última ceia?

Caviar, que comeria à colher.

Que livro a impressionou mais recentemente?

Crónicas do Mal de Amor, de Elena Ferrante, em particular Os Dias do Abandono.

Um disco eterno.

Innervisions, Stevie Wonder.

Um epitáfio.

«Excuse my dust», da Dorothy Parker.

As listas da LER: 10 clássicos gay

Marguerite Yourcenar

 

Nada de marcar o território com militância; por isso entram três clássicos que também abriram as portas para o cinema: Maurice, A Cor Púrpura e As Horas (a música de Philip Glass a unir a fixação das três mulheres em Mrs. Dalloway, de Viriginia Woolf). Clássicos ainda: Morte em Veneza, Um Homem Singular e Myra Breckinridge, com a intrusão de uma história portuguesa, passada em Viseu (um processo em tribunal) e contada por Agustina Bessa-Luís. Infelizmente, não está traduzido Oranges Are Not the Only Fruit, de Jeanette Winterson, mas há Edmund White (A Vida Privada de um Rapaz, D. Quixote), João Gilberto Noll (Lorde, Elsinore) – e o belíssimo Astronomia, o mais recente romance de Mário Cláudio (D. Quixote).

 

  • E.M. Forster, Maurice [Cotovia]
  • Patricia Highsmith, O Preço do Sal [Europa-América]
  • Margueritte Yourcenar, Memórias de Adriano [Ulisseia]
  • Alice Walker, A Cor Púrpura [Teorema]
  • Gore Vidal, Myra Breckinridge [Vega]
  • Christopher Isherwood, Um Homem Singular [Quetzal]
  • Agustina Bessa-Luís, Eugénia e Silvina [Guimarães]
  • Thomas Mann, Morte em Veneza [D. Quixote]
  • Michael Cunningham, As Horas [Gradiva]
  • Mary Renault, O Jovem Persa [Assírio & Alvim]

As listas da LER: 10 livros sobre viagens

© RICARDO SANTOS, Volta ao Mundo

 

À cabeça teriam de figurar três dos grandes clássicos da moderna literatura de viagens; uma trilogia de respeito – Chatwin, Byron (este, não o outro) e Theroux. Theroux e Chatwin, para provar a sua fixação, assinaram depois um livro em conjunto, com o título Regresso à Patagónia; o livro de Byron continua a ser uma referência (inclusive para Chatwin). Quanto a Kerouac, toda a gente espera que se cite Pela Estrada Fora; mas Os Vagabundos do Dharma é mais «radical», mais «intenso» e é o primeiro a ser eliminado em qualquer bibliografia bem educada.

 

  • Bruce Chatwin, Na Patagónia [Quetzal]
  • Robert Byron, A Estrada para Oxiana [Tinta da China]
  • Paul Theroux, O Velho Expresso da Patagónia [Quetzal]
  • Geoff Dyer, Yoga para Pessoas que não Estão para fazer Yoga [Quetzal]
  • Bill Bryson, Por aqui e por ali [Bertrand]
  • Jack Kerouac, Os Vagabundos do Dharma [Relógio d’Água]
  • Paul Theroux, Comboio-Fantasma Para o Oriente [Quetzal]
  • Paul Bowles, Viagens [Quetzal]
  • John Steinbeck, Viagens com o Charley [Livros do Brasil]
  • Agatha Christie, Na Síria [Tinta da China]

As listas da LER: 10 livros sobre guerra

Histórias de guerras e dos campos enlameados: Tosltoi seria inevitável para ouvir o troar dos canhões, mas há histórias superlativas à volta da guerra e algumas não estão aqui, como as de Evelyn Waugh ou Winston Churchill – nem as de Carlos Vale Ferraz sobre a guerra colonial. O peso monumental de Vida e Destino cobre toda a II Guerra vista a partir da União Soviética (o manuscrito foi apreendido e o autor humilhado até à morte), a minúcia lendária de James Jones e as cinzas de Austerliz, de Sebald, são também uma forma de verificar os horrores e o ferro em brasa. Restam o humor e a irracionalidade, no fim de tudo: Catch 22, de Joseph Heller.

 

  • Lev Tolstoi, Guerra e Paz [Presença]
  • Erich Maria Remarque, A Oeste Nada de Novo [Camões & Companhia]
  • W.G. Sebald, Austerlitz [Quetzal]
  • Ernest Hemingway, Por Quem os Sinos Dobram [Caminho]
  • Margaret Mitchell, E Tudo o Vento Levou [Contexto]
  • Norman Mailer, Os Nus e os Mortos [Caminho]
  • J.G. Ballard, O Império do Sol [Livros do Brasil]
  • Vassili Grossman, Vida e Destino [D. Quixote]
  • James Jones, A Barreira Invisível [Europa-América]
  • Joseph Heller, Catch 22 [D. Quixote]

As listas da LER: 10 livros sobre espionagem e espiões

John Le Carré, Norman Mailer

 

A lista é infindável e sempre cheia de faltas clamorosas. Por exemplo: todos os romances de John Le Carré deviam aparecer para provar que o fim da Guerra Fria e a queda do Muro de Berlim não destruíram um dos pilares da civilização contemporânea: os espiões e a literatura sobre espionagem. Não está publicado em Portugal um dos grandes romances do género, The Manchurian Candidate, de Richard Condon (mas ainda se pode comprar Os 39 Degraus, de John Buchan, Europa-América). Já Graham Greene é uma revisitação saudosa ao tempo em que os espiões tinham consciência e culpa (é ela que conduz Harlot, de Norman Mailer, a refugiar-se na URSS para ditar as suas memórias, o maior romance jamais escrito sobre a CIA). Quanto a Conrad, é uma espécie de fundador europeu.

 

  • Joseph Conrad, O Agente Secreto [11/17]
  • John Le Carré, A Toupeira [D. Quixote]
  • John Le Carré, A Gente de Smiley [D. Quixote]
  • Graham Greene, O Americano Tranquilo [Ulisseia]
  • Frederick Forsyth, O Chacal [Livros do Brasil]
  • Norman Mailer, O Fantasma de Harlot [Asa]
  • Graham Greene, O Nosso Homem em Havana [Ulisseia]
  • Lawrence Durrell, Águias Brancas Sobre a Sérvia [D. Quixote]
  • Ian Fleming, Casino Royale [Portugália]
  • Robert Ludlum, O Ultimato de Bourne [Europa-América]

As listas da LER: 10 livros sobre xadrez

Numa carta enviada a Paul Auster, J.M. Coetzee contou que, durante algum tempo, numa outra vida, se tinha dedicado ao xadrez. Lembrava-se bem desse período porque chegara a sonhar com tabuleiros, peças, jogadas. Concluía dizendo que não há desporto mais obsessivo e capaz de causar transtornos mentais. Na minha infância, também me abeirei atrevidamente do xadrez, mas fui salvo por uma longuíssima série de derrotas iniciais que me encaminharam decididamente para o Tetris. Então, sim, fartei-me de sonhar com peças em queda de um céu caucasiano.

  • Arturo Pérez-Reverte, A Tábua de Flandres [Asa]
  • Katherine Neville, Oito [Porto Editora]
  • Álvaro Pereira, Fernando Silva, Luís Santos, Kaarpov – Korchnoi: 32 Lições de Xadrez [Caminho]
  • Stefan Zweig, Novela de Xadrez [Assírio & Alvim]
  • Pedro Paulo Sampaio e António Ferreira, A Abertura Portuguesa [Caminho]
  • Garry Kasparov, A Vida Imita o Xadrez: Faça as Jogadas Certas no Trabalho e na vida [Gestão Plus]
  • Fernando Henrique Cardoso, Xadrez Internacional e Social-Democracia [Dom Quixote]
  • Robert Löhr, A Máquina de Xadrez [Presença]
  • Vladimir Nabokov, A Defesa [Teorema]
  • Jacobo Caselas Cabanas Xadrez: Primeiros Passos [Despertar Memórias]