Carlos Vaz Marques entrevista o Prémio Camões 2011, publicamos um ensaio ainda inédito do poeta sobre Aniki Bobó e Hélia Correia abre a porta do seu sótão – um mundo de fadas.
Fernando Pessoa acreditava que o seu ano de nascimento (1888) fazia parte de uma profecia. «Eu ser descoberto em 2198», revela num apontamento inédito. Ensaio de Jerónimo Pizarro.
Chef, escritor de policiais e apresentador do programa No Reservations, Bourdain visitou pela primeira vez Lisboa e falou com a LER.
Até 15 de fevereiro pode escolher aqui o melhor em várias categorias. A cerimónia de entrega terá lugar a 25 de fevereiro, pelas 19.30, no auditório do Correntes d'Escritas.
No momento em que uma nova proposta de lei do PS sobre a cópia privada começa a ser discutida e analisada por um grupo de trabalho parlamentar, a Sociedade Portuguesa de Autores promove um abaixo-assinado que exige uma nova lei.
Um património público europeu disponível a todas as editoras.
Bónus editorial de um projeto que acrescenta mais mil cartas à antologia conhecida da correspondência do escritor argentino.
Um catálogo para compra e empréstimo lançado ontem.
Um embate há muito esperado com moderação de Carlos Vaz Marques. Quem são os protagonistas da capa da LER de fevereiro?
Na arca labiríntica de Pessoa os investigadores Pedro Sepúlveda e Jorge Uribe descobriram 43 textos inéditos sobre «sebastianismo e o Quinto Império». O resultado chega amanhã às livrarias em novo volume da «Nova Série de Obras de Fernando Pessoa», coordenada pelo colombiano Jerónimo Pizarro, que, recorde-se, revela parte deste universo pessoano até agora desconhecido na edição da janeiro da LER (ainda nas bancas).
Os agentes do escritor norte-americano aguardavam pelo seu novo romance, mas Cormac McCarthy apareceu com um argumento intitulado The Counselor.
E a lista dos livros que mereceram atenção presidencial.
José Carlos Seabra Pereira, Mário Cláudio, Fernando Guimarães, Frederico Lourenço e Pedro Mexia decidiram atribuir a quinta edição do Prémio Fundação Inês de Castro ao romance Uma Viagem à Índia, de Gonçalo M. Tavares, que sucede assim a Pedro Tamen, Teolinda Gersão, José Tolentino de Mendonça e Hélia Correia.
A poucos meses de completar 71 anos, a histórica Livraria Portugal (Chiado, Lisboa) anuncia que vai fechar as portas devido à quebra de vendas. «Os livros vendem-se hoje em todo o lado: nas grandes superfícies, na Internet, nos correios, a preços e com condições que não podemos acompanhar», justifica António Machado, livreiro há quatro décadas. «O que me dói mais é que contactámos livreiros para tentar deixar este espaço a quem continue no mesmo negócio, mas nenhum se mostrou interessado.»
Fotografias expostas aqui a propósito dos 200 anos do nascimento de Charles Dickens.
Uma ideia acabada de lançar pelo Telegraph.
O El País adianta as primeiras páginas da tradução espanhola de El Sunset Limited.
As Livrarias Bertrand convocam todos os ilustradores portugueses para o desafio «Leitores de todos os tamanhos»: «criar uma mascote a ser usada nos diversos suportes de comunicação das livrarias». Os trabalhos devem ser enviados até 9 de março, e o prémio é de 2500 euros. Regulamento e outras informações aqui.
Por estes tempos, nem todos os números são bons. Nós por cá, esta semana chegámos aos 8500 fãs no Facebook e, pela adesão dos últimos meses, não vamos ficar por aqui. Só podemos agradecer o voto de confiança dos leitores.
Os textos continuam a chegar a bom ritmo e agora também fotografias. O «15/25» está aberto a fotografias e ilustrações. Venham elas.
Antiga, mas conto para introduzir o tema. Uma professora de Ciências pergunta à sexta classe qual a parte do corpo humano capaz de, quando estimulada, aumentar dez vezes o seu tamanho. Uma garota cora e ofende-se; ameaça queixar-se à mãe. A professora ignora-a e dá a voz a outra criança de braço no ar: «A pupila!» Voltando-se para a menina ultrajada, a mestra esclarece: «Ouviste? Essa é que é a resposta certa. Além disso, há três coisas que precisas de saber. Primeiro, a tua cabecinha está a precisar de uma boa limpeza; segundo, não estudaste a lição e, terceiro, um dia vais sofrer um grande, grande desapontamento.»
Foi a minha leitura de mais um capítulo do livro, ainda a cheirar à gráfica, Thinking, Fast and Slow, de Daniel Kahneman, Prémio Nobel da Economia, que me lembrou essa estória e a tornou científica nos pomposos termos de “pupilometria cognitiva”, campo a que aliás o mesmo autor já dedicara um volume inteiro, Attention and Effort (1973), explicando a interrelação entre a actividade mental e a dilatação da pupila; esta supostamente revela o índice de energia dispendido pela mente. Ou seja, acabaram quantificando a velha expressão «Os olhos são as janelas da alma».
A graçola que abre hoje este meu cantinho costuma provocar da parte das mulheres comentários do género: «Vê-se que essa é uma anedota masculina porque isso de tamanho é uma obsessão de homem, não partilhada pelo elemento feminino.» Na verdade, até mesmo o humor para consumo macho confirma a diferença. Em abono da afirmação ressalte-se os graffiti das casas de banho dos homens, informativo estendal de dados empíricos. (Um dia encontrei na privada do Andreas, ali à Thayer Street, um que anunciava «I’m nine inches». Por baixo, alguém acrescentou: «Fine, but how big is your prick?» – fica em inglês porque a tradução, por mais que a tentasse, só podia roubar metade da chalaça). Não tenho estatísticas mas estas realidades de diferenças de género foram ainda há meses corroboradas por ambos os lados dos campos de guerra sexual num programa de Jon Stewart a propósito da voga de jovens exibirem os seus dotes genitais via telemóvel em SMS às miúdas - em inglês, sexting, de texting. (Aliás, não lhes é exclusivo. Lembram-se do congressista Anthony Weiner que por isso teve de dizer adeus ao seu lugar em Washington?) Uma mulher captou o duro da questão: «Percebam os homens que sim, queremos um pénis, mas um pénis que nos oiça e com o qual possamos conversar, e com bom aspecto, para nos dar o prazer de apresentá-lo à família.» O que inevitavelmente me fez lembrar o pai daquela jovem toda século XXI, que prezava acima de tudo a sua liberdade e por isso… «Casamento?!... Nem pensar!» O pai tentava dissuadi-la: «Como mulher, um dia vais sentir a falta de um homem.» A filha, língua desempoeirada e solta, que não. «Para aquilo que os homens ainda servem, há hoje aparelhos eléctricos que desempenham bem o serviço.» Um dia, porém, ao entrar em casa, deparou com o pai na sala. De robe, contemplativo e taciturno, copo de uísque e charuto. Em cima da mesa, diante de si, um vibrador eléctrico. Intrigada, a rapariga indagou e ouviu: «Estou só a descontrair um pouco e a bater um papo com o meu genro.»
Houvesse aqui espaço e contaria uma mais recente sobre o género do computador, por sinal bastante equitativa dividindo a piada a meias entre homens e mulheres. Os ouvintes de ambos os lados acenam anuindo, reconhecendo-se nos estereótipos, um deles o da pecha sexual masculina. Essa verdade consagrada pela experiência histórica foi afinal captada em grande por alguém que corrigiu um provérbio da velha sabedoria americana, transmitido pelas mães às filhas casadoiras: «A way to a man’s heart is through his stomach». A alternativa proposta é: «Quem julga que para chegar ao coração de um homem lhe deve tratar do estômago, está a apontar muito alto.»
Crónica de Onésimo Teotónio Almeida publicada na edição de janeiro da LER.
A partir de 21 de fevereiro, o Paris Literary Prize aceita candidaturas de pessoas de todo o mundo que nunca tenham publicado um livro.
Entre as 850 cartas de John Steinbeck (1902-1968) reunidas em A Life in Letters há esta em que o Nobel norte-americano responde ao seu filho Tom, então adolescente. Corria o ano de 1958.
New York
November 10, 1958
Dear Thom:
We had your letter this morning. I will answer it from my point of view and of course Elaine will from hers.
First — if you are in love — that’s a good thing — that’s about the best thing that can happen to anyone. Don’t let anyone make it small or light to you.
Second — There are several kinds of love. One is a selfish, mean, grasping, egotistical thing which uses love for self-importance. This is the ugly and crippling kind. The other is an outpouring of everything good in you — of kindness and consideration and respect — not only the social respect of manners but the greater respect which is recognition of another person as unique and valuable. The first kind can make you sick and small and weak but the second can release in you strength, and courage and goodness and even wisdom you didn’t know you had.
You say this is not puppy love. If you feel so deeply — of course it isn’t puppy love.
But I don’t think you were asking me what you feel. You know better than anyone. What you wanted me to help you with is what to do about it — and that I can tell you.
Glory in it for one thing and be very glad and grateful for it.
The object of love is the best and most beautiful. Try to live up to it.
If you love someone — there is no possible harm in saying so — only you must remember that some people are very shy and sometimes the saying must take that shyness into consideration.
Girls have a way of knowing or feeling what you feel, but they usually like to hear it also.
It sometimes happens that what you feel is not returned for one reason or another — but that does not make your feeling less valuable and good.
Lastly, I know your feeling because I have it and I’m glad you have it.
We will be glad to meet Susan. She will be very welcome. But Elaine will make all such arrangements because that is her province and she will be very glad to. She knows about love too and maybe she can give you more help than I can.
And don’t worry about losing. If it is right, it happens — The main thing is not to hurry. Nothing good gets away.
Love,
Fa
Vamos aos números: 20 mil títulos, 400 mil exemplares, 150 editoras nacionais e estrangeiras e preços a partir de um euro. A grande novidade desta edição «é o regresso de obras descatalogadas sem comercialização» disponibilizadas pelo Instituto do Vinho do Douro e Porto. «São, muitas delas, obras raras», acrescenta o Público. A festa continua diariamente até 29 de Janeiro na Fundação António Cupertino de Miranda, no Porto. A entrada é livre.
Um serviço público que merece a distinção e os parabéns.
A 3 de fevereiro, o lançamento de O Livro de Areia e História da Eternidade assinala o início da publicação da Obra Completa de Jorge Luis Borges pela Quetzal.
Notícias, rumores, invenções e impropérios para ler@circuloleitores.pt
Faça já a sua assinatura aqui.
1. Os 50 autores mais influentes do século XX.
2. Dez cidades para visitar com livros debaixo do braço.
3. Charles Darwin, 200 anos depois.
4. «O Magalhães é o maior assassino da leitura em Portugal.»
5. Última entrevista de António Barahona.
6. Inéditos de Fernando Pessoa.
7. John Milton por João Pereira Coutinho.
8. «O meu mal é ter uma curiosidade de puta.»
9. Entrevista Luis Sepúlveda.
10. «Já quase pareço um escritor.»
11. Entrevista Eduardo Lourenço.
12. Breve Introdução à Teoria Literária.
13. Agustina, a indomável.
14. Trinta livros do PNL.
15. Entrevista A. M. Pires Cabral.
16. Dinis Machado: «Só quis escrever um livro».
17. Retratos de um Nobel.
18. Os últimos e-mails de Stieg Larsson.
19. Os 200 anos de Edgar Allan Poe.
20. Knoxville, o território de McCarthy.
21. O bibliotecário ambulante.
22. Dez escritores europeus que (já) mereciam ser traduzidos em Portugal.
23. Entrevista Mia Couto.
24. Entrevista Vasco Pulido Valente.
25. Inéditos Vinicius de Moraes.
26. Os heterónimos de Eduardo Lourenço
Outras leituras
«Volviendo a John le Carré» (Antonio Muñoz Molina)
«A Country Without Libraries» (Charles Simic)
«The Translation Gap: Why More Foreign Writers Aren’t Published in America» (Emily Williams)
«The Godfather of the E-Reader» (Jennifer Schuessler)
«The Philosophical Novel» (James Ryerson)
«The Case of the First Mystery Novelist» (Paul Collins)
«The lost art of handwriting» (Umberto Eco)
«Our Boredom, Ourselves» (Jennifer Schuessler)
«Scandinavian Crime Wave» (Nathaniel Rich)
«When Bad Covers Happen to Good Books» (Joe Queenan)
«Tintinabulation» (Bruce Handy)
«Inside the Secret World of Literary Scouts» (Emily Williams)
«Advantage Google» (Lewis Hyde)
«Texts Without Context» (Michiko Kakutani)
«Bookmarkism: The New Ideology» (Robert Nagle)
«The Autobiography of J.G.B.» (J. G. Ballard)
«J. G. Ballard, Poet of Desolate Landscapes»
«When Writers Speak» (Arthur Krystal)
«Reading by the Numbers» (Susan Straight)
«What I heard at J.D. Salinger’s doorstep» (Tom Leonard)
«Why hasn't there been a science fiction Booker winner?» (Adam Roberts)
«Freyre, Euclides e o Brasil» (Daniel Piza)
«Las cartas íntimas de Beckett» (J. M. Coetzee)
«Entrevista Günter Grass» (Juan Cruz)
«Eudora Welty's centenary» (Paul Binding)
«Juan Benet: en un tiempo de silencio» (Manuel Vicent)
«Richard Poirier: A Man of Good Reading» (Alexander Star)
«Sumergirse en Benet» (Álvaro Colomer)
«Interview with Seamus Heaney» (Sameer Rahim)
«Robert Capa - La muerte y el azar» (Guillermo Altares)
«Why do Pynchon, Ballard and Wallace provoke such online loyalty?»
«Richard Poirier: A Man of Good Reading» (Alexander Star)
«Philip Larkin Letters» (John Shakespeare)
«Una vida absolutamente maravillosa» (Enrique Vila-Matas)
«Poética de los escaparates» (Antonio Muñoz Molina)
«In the South» (Salman Rushdie)
«Our George Steiner Problem – and Mine» (Lee Siegel)
«Poets, Academia: A Couplet in Conflict» (David Orr)